
Falso Amor – Capítulo 08
31/10/2024
Falso Amor – Capítulo 010
31/10/2024
Cena 1/Rio de Janeiro/Favela/Cativeiro de Flávio/Int./Dia.
FLÁVIO
Eu não tenho irmão e muito menos gêmeo.
Henrique vai até o banheiro, pega um espelho, volta, se abaixa perto de Flávio, puxa o cabelo dele, coloca o espelho em frente ao rosto de Flávio.
HENRIQUE
Olha bem! Agora olha pra mim e vê como somos idênticos!
FLÁVIO
(se olhando no espelho) Minha mãe nunca falou de irmão nenhum.
HENRIQUE
(olha Flávio nos olhos, com raiva) Sabe por que ela nunca falou nada? Porque ela se desfez de mim. Ela só precisava de um filho para segurar o tal Régis Werneck. Ela mentiu para ele que eu estava morto e me deu para o Gilberto, que é ex-namorado dela.
FLÁVIO
(as lágrimas escorrem) A minha mãe jamais faria isso.
HENRIQUE
(grita) Mas fez! (solta Flávio; se afasta) Agora ela vai pagar caro. Porque quem vai voltar para a sua casa serei eu… Eu vou entrar naquela família e me vingar pelo que a sua mãe me fez e vou ter tudo o que tenho direito, as coisas que ela deu para você e me negou.
FLÁVIO
Eu acho melhor nós dois conversamos com ela e ver o que a mamãe tem a dizer sobre isso.
HENRIQUE
(sorri) Não. (fica sério) Aqui quem dá as ordens sou eu, e você, playboy, obedece.
FLÁVIO
Como você se chama?
HENRIQUE
Henrique.
FLÁVIO
Henrique, me solta, e vamos juntos para a casa e falar com a mamãe.
HENRIQUE
Eu não vou te soltar, então para de pedir. Isso aqui não é uma reunião familiar, aqui é o seu cativeiro Flávio, e é melhor você se acostumar com esse muquifo porque você vai passar muitos dias aqui.
Cena 2/Mansão dos Werneck/Sala/Int./Dia.
Janete, Cristina, Régis e Roberta estão sentados.
ROBERTA
(se levanta aflita) Até quando nós vamos ficar aqui de braços cruzados? (com vontade de chorar) Flávio pode estar em perigo!
JANETE
(está segurando a mão de Cristina) Todos temos que manter a calma, Roberta. Ainda não podemos avisar à polícia por não saber o tipo de gente que está com Flávio.
CRISTINA
(deita a cabeça no ombro de Janete, chora) Eu quero meu filho de volta.
RÉGIS
(segura a mão de Cristina) Nós vamos ter o Flávio de novo aqui, Cris.
O celular de Cristina toca. Janete observa. Cristina atende rapidamente.
CRISTINA
Alô?
PARCEIRO
Você é Cristina?
CRISTINA
(aflita) Sou eu mesma, quem fala?
RÉGIS
(fala baixo) Coloca no viva voz.
Cristina coloca no viva voz.
PARCEIRO
Eu sou a pessoa que está com seu filho. Se quer ver ele de novo, vai ter que seguir as minhas ordens.
CRISTINA
Eu vou fazer tudo que você mandar, mas me deixa falar com Flávio.
PARCEIRO
Não, por enquanto não. A primeira ordem é não envolver a polícia.
CRISTINA
(chora, desesperada) Tudo bem, mas me fala se Flávio está bem, por favor.
PARCEIRO
Depois falo com a madame. (desliga)
CRISTINA
(desesperada, abraça Régis) Eu não vou aguentar. (chora)
RÉGIS
(consolando Cristina, se controla para não chorar) Vai ficar tudo bem. Ele vai pedir dinheiro e nós vamos ter nosso filho de volta.
Roberta caminha pela sala; está triste. Segura o pingente que ganhou de Flávio e chora. Janete observa e sorri discretamente.
Cena 3/Grupo Werneck/Sala de Edgar/Int./Dia.
Glauco entra na sala.
GLAUCO
Edgar, o que está acontecendo com Régis? Ele ainda não chegou e temos muito o que fazer aqui.
EDGAR
Não sei muito bem, mas ele está tendo um problema pessoal. O Frederico está vindo para cá.
GLAUCO
O quê? Esse velho aqui?
EDGAR
Não sei qual é o espanto. Esse velho, como você diz, é o dono do grupo Werneck.
GLAUCO
Não gosto desse cara. A antipatia que tenho por Régis não é nada comparada ao que sinto pelo Frederico.
EDGAR
Por quê?
GLAUCO
Ele deu um jeito para que o Régis ficasse à frente do grupo, enquanto eu, que sou muito mais capacitado, fiquei sendo o diretor.
EDGAR
Glauco, esse grupo pertence a família Werneck e não a nós.
GLAUCO
Somos sócios, temos direitos. Se Régis afundar isso aqui, todos iremos perder.
EDGAR
Mas isso não vai acontecer, e é melhor começar a trabalhar. Temos muitos pedidos da nova coleção de roupas femininas e também temos que lançar o novo produto.
GLAUCO
Sim, temos, mas quem vê isso do produto novo é a Janete. E ela veio? Não!
EDGAR
É… Isso é estranho. Deve estar acontecendo uma coisa muito grave.
Cena 4/Casa de Janete/Quarto de Ágata/Int./Dia.
Ágata está apenas de toalha. Abre o closet, começa a procurar uma roupa. Pega um vestido preto curto com decote. Sorri. Ela se veste, se maquia, passa perfume, arruma o cabelo, se olha no espelho e sorri.
ÁGATA
Vou fazer uma visita para a tia Cris e o tio Régis.
Ágata dá risada e sai.
Cena 5/Casa de Janete/Sala/Int./Dia.
Bruno está de saída. Ágata se aproxima.
ÁGATA
Bruno, você vai aonde?
BRUNO
Visitar a Sueli.
ÁGATA
Me dá uma carona até a casa da tia Cris?
BRUNO
O que aconteceu com o seu carro?
ÁGATA
Vendi, vou comprar outro, cansei dele.
BRUNO
Tudo bem, te levo.
Bruno sai com Ágata.
Cena 6/Rio de Janeiro/Favela/Cativeiro de Flávio/Int./Dia.
Flávio está sentado no chão, segurando o pingente com o símbolo do infinito que tem os nomes Roberta e Flávio gravados; fecha os olhos. Henrique entra, olha Flávio e se senta em uma cadeira.
HENRIQUE
Vamos conversar. Quero saber tudo sobre você, o que faz, o que deixa de fazer. Por exemplo: você fuma?
FLÁVIO
Não.
HENRIQUE
Bebe?
FLÁVIO
Não.
HENRIQUE
Pratica alguma luta?
FLÁVIO
Não.
HENRIQUE
Que tipo de babaca você é? Não faz nada?
FLÁVIO
Eu quero sair daqui.
HENRIQUE
Mas não vai e me fala o que quero saber.
FLÁVIO
Não vou falar nada. Você não vai enganar a minha família. Seja lá o que você pretende, não vai conseguir, não vou te ajudar em nada.
Henrique olha Flávio com raiva, pega o celular de Flávio e mostra uma foto de Roberta.
HENRIQUE
Linda a sua noivinha. Sabia que eu fui até o evento que a sua mamãe fez e essa coisa gostosa me confundiu com você? (sorri) É… Ela até me beijou.
Flávio, com raiva, se levanta, tenta alcançar Henrique, mas não consegue porque a corrente que está presa em sua perna é curta; fica com vontade de chorar
FLÁVIO
Se você chegar perto da Roberta, eu vou acabar com você!
Henrique se levanta, dá um soco em Flávio, que cai no chão. Henrique se abaixa e encara Flávio.
HENRIQUE
Você ainda não entendeu, Flávio. Se você não fazer exatamente tudo que eu mandar, eu posso machucar as pessoas que você ama.
FLÁVIO
(as lágrimas escorrem, abaixa a cabeça, fecha os olhos) Você quer enganar a todos. Todos que eu amo por uma coisa que você não sabe se minha mãe fez ou não. Eu nem sabia que tinha um irmão gêmeo.
HENRIQUE
Agora já sabe, e para de chorar, porque não vou me comover e sim me irritar. Agora me fala tudo o que quero saber!
FLÁVIO
(se senta) Eu falo.
Cena 7/Mansão dos Werneck/Suíte de Cristina/Int./Mais Tarde.
Cristina está sentada na cama, olhando uma foto de Flávio, e chora. Régis entra e se senta ao lado de Cristina.
RÉGIS
Vem comer alguma coisa, Cris.
CRISTINA
Não quero, Régis. Eu estou com medo de perder o Flávio. (chora, abraça Régis)
RÉGIS
Não pensa assim, Cris. Quem pegou o Flávio quer dinheiro e sabem que, se alguma coisa acontecer com ele, não vai ter dinheiro nenhum.
CRISTINA
Não quero perder outro filho. (chora)
RÉGIS
Meu amor, não fica assim.
Régis abraça Cristina quando o celular dele toca. Ele atende.
RÉGIS
Alô?
PARCEIRO
Cinco milhões, e você tem seu filho de volta!
RÉGIS
Eu vou pagar, mas me deixa falar com Flávio. Eu só pago se tiver certeza que ele está vivo.
PARCEIRO
Se liga! Eu to garantindo que o playboy está vivo. Depois te ligo para falar como você tem que fazer com o dinheiro.
CRISTINA
(pega o telefone da mão de Régis, está desesperada) Fala pra mim como está meu filho?
Parceiro desliga. Cristina chora muito.
RÉGIS
Cris, olha pra mim, meu amor. Eles já pediram o dinheiro. Eu vou dar, fica tranquila.
CRISTINA
(abraça Régis) Eu preciso ouvir o Flávio.
Cena 8/Rio de Janeiro/Favela/Barraco de Gilberto/Sala/Int./Tarde.
GILBERTO
E aí? O que ele falou?
PARCEIRO
Ele disse que vai pagar. O cara nem negociou, agora a tal Cristina está me dando pena já. Ela está desesperada por causa do playboy.
GILBERTO
Isso é pouco pra ela.
PARCEIRO
Régis quer falar com o Flávio. Ele quer ter certeza que ele está vivo.
GILBERTO
Na próxima ligação você faz perto dele e só deixa ele falar com o Régis, com a Cristina não, entendeu?
PARCEIRO
Por que você odeia tanto ela?
GILBERTO
Não é da sua conta. Faz o seu trabalho e cala a boca.
HENRIQUE
(entra) Esse babaca não tem nada a ver comigo. É um idiota. Com tanta grana, não aproveita.
DANIELA
(entra) O Tico me disse que você queria falar comigo. O que é?
GILBERTO
(pega uma jarra com água) Leva isso aqui onde você já sabe, e não fica de conversa com ele.
DANIELA
Por que você mesmo não faz isso?
GILBERTO
Porque eu sou o cara mau.
HENRIQUE
Por mim não dava nem água pra ele.
GILBERTO
Morto, ele não serve de nada.
DANIELA
(pega a jarra com água) Dá isso aqui. (sai)
Cena 9/Rio de Janeiro/Favela/Cativeiro de Flávio/Int./Tarde.
Flávio está sentado no chão, com frio. Tem um corte na cabeça e está com um olho roxo. Daniela entra com a jarra com água.
FLÁVIO
Quem é você?
Daniela coloca a jarra em cima da mesa, enche um copo com água e entrega a Flávio. Ele toma toda a água de uma vez.
DANIELA
Quer mais?
FLÁVIO
Por favor.
Daniela enche o copo de Flávio com água. Flávio toma a água e entrega o copo a Daniela.
FLÁVIO
Obrigado.
DANIELA
(sorri) É… Já vi uma diferença entre você e o traste do Henrique. Você tem educação.
FLÁVIO
Eu estou com dor de cabeça… Você pode me trazer um remédio?
DANIELA
Por mim eu traria, mas não depende de mim. Vou tentar conseguir e também uns curativos… Não prometo. (sai)
Cena 10/Casa de Sueli/Sala/Int./Tarde.
Bruno e Sueli estão sentados no sofá.
SUELI
Eu estou bem, Bruno, de verdade.
BRUNO
Mas, se você precisar de qualquer coisa, pode me pedir.
SUELI
(sorri) Não preciso de nada, obrigada.
LUCIANO
(entra; a Bruno) Oi, ainda bem que te encontrei aqui. Preciso de uma ajuda na fundação. Roberta e Cristina não foram e tem muita coisa pra fazer.
SUELI
Aconteceu alguma coisa para elas não terem ido?
LUCIANO
Não sei, tia, mas preciso de ajuda.
BRUNO
Eu vou com você.
SUELI
Eu também.
LUCIANO
Não, você fica aqui quietinha.
SUELI
Que bobagem! Eu estou me sentindo ótima, e vocês não vão saber resolver tudo sozinhos.
BRUNO
(segura a mão de Sueli) Eu te ajudo então.
SUELI
(solta a mão de Bruno) Não precisa, Bruno. (sai)
LUCIANO
(sorri) Melhor você desistir.
BRUNO
(sorri) Não tão fácil. (sai com Luciano)
Cena 11/Mansão dos Werneck/Sala/Int./Tarde.
Silvia e Ágata estão sentadas no sofá.
SILVIA
Essa falta de notícia do meu neto está acabando com meu filho.
ÁGATA
A tia Cris está bem abalada também. E minha mãe, então? Nunca vi ela desse jeito.
SILVIA
(se levanta) Claro, se Flávio não tivesse ido com ela ao teatro, nada disso teria acontecido.
Regis desce as escadas.
ÁGATA
Como está minha tia?
RÉGIS
Não para de chorar. Eu vou levar um pouco de água para ela e ver se ela come alguma coisa. (vai para a cozinha)
SILVIA
Até agora, meu filho não foi consolado. Cristina está tendo todas as atenções. Vá perguntar como ele está.
ÁGATA
(se levanta, se aproxima de Silvia) Você é a mãe dele.
SILVIA
Meu filho está chateado comigo.
Ágata sorri e vai para a cozinha.
Cena 12/Mansão dos Werneck/Cozinha/Int./Tarde.
Régis está colocando algumas frutas em uma bandeja; se apoia na mesa e chora. Ágata entra, se aproxima, acaricia as costas de Régis.
ÁGATA
Flávio vai estar de volta logo, você vai ver.
RÉGIS
(está com o rosto molhado das lágrimas) Não suporto essa situação. Meu filho nas mãos sabe-se lá de quem e minha mulher sofrendo, e eu não posso fazer nada para o sofrimento dela acabar. (chora)
ÁGATA
(abraça Régis) Desabafa, é melhor. Assim você volta forte para a tia Cris.
Régis, abraçado com Ágata, chora. Ela acaricia as costas dele. Régis se afasta.
RÉGIS
Obrigado. (enxuga as lágrimas)
ÁGATA
(se aproxima de Régis, o olha nos olhos) Você pode contar comigo para o que precisar.
RÉGIS
(pega a bandeja) Preciso que você vá até o grupo Werneck e veja como estão as coisas.
ÁGATA
Eu vou sim.
RÉGIS
Edgar me disse que você é publicitária.
ÁGATA
(sorri) Fiz faculdade, mas ainda não tive chance de trabalhar com publicidade.
RÉGIS
Quando esse pesadelo acabar, vamos falar disso. (sai)
ÁGATA
(sorri) Pode apostar que vamos.
Cena 13/Mansão dos Werneck/Quarto de Flávio/Int./Tarde.
Roberta está em pé, olhando as coisas de Flávio; chora.
ROBERTA
Eu te amo tanto, Flávio. Meu amor, preciso de você.
Cena 14/Rio de Janeiro/Favela/Cativeiro de Flávio/Int./Tarde.
Entram Henrique, Parceiro e Gilberto.
GILBERTO
Você vai falar com o seu pai. Ele quer ter certeza que você está vivo, mas, se você falar qualquer coisa sobre Henrique, ele vai ouvir você morrendo com um tiro que vou te dar.
FLÁVIO
O que vou falar para ele?
HENRIQUE
Qualquer coisa menos de mim.
GILBERTO
(a Parceiro) Tira uma foto dele. Essa vai para Cristina. (ri)
FLÁVIO
Você conhece a minha mãe?
GILBERTO
Claro que sim. Ela foi minha antes de ser do seu papai. Ela me traiu com ele por causa de grana e, quando engravidou de gêmeos, me deu um menino. Disse que só um bastava, que ela não aguentaria duas crianças.
FLÁVIO
(as lágrimas escorrem) Isso é mentira! Minha mãe não é assim.
Parceiro tira uma foto de Flávio.
GILBERTO
Liga para o Régis, mas só ele fala com o playboy. Se Cristina pegar o telefone, desliga.
PARCEIRO
(pega o celular, disca uns números) Régis, você vai falar com o seu filho, mas só você. A madame não pode,. Se ela pegar o telefone, o playboy vai sofrer. (passa o telefone para Flávio)
FLÁVIO
(pega o telefone) Papai?
RÉGIS
(sorri aliviado) Flávio, como você está?
CRISTINA
(a Régis) Eu quero falar com ele.
FLÁVIO
Eu estou bem… Só quero sair daqui…
RÉGIS
Eu vou pagar quanto for, Flávio.
PARCEIRO
(tira o telefone da mão de Flávio, fala com Régis) Viu? Ele está vivo. Agora pega cinco milhões e aguarda a próxima ligação. (desliga)
GILBERTO
(sorri) Perfeito.
FLÁVIO
Eu estou com dor de cabeça… Por favor, preciso de um remédio.
HENRIQUE
(dá um tapa no rosto de Flávio) Isso não é um hotel.
Gilberto sai com Parceiro. Henrique se senta. Olha a corrente no pescoço de Flávio e puxa.
HENRIQUE
O que é isso?
FLÁVIO
Me devolve.
HENRIQUE
(sorri enquanto lê) Flávio e Roberta… Que coisa mais romântica… (dá risada) Uma mulher tão linda, e você ainda não a levou pra cama, babaca. (coloca a corrente no próprio pescoço) Mas eu vou fazer esse favor para a Roberta.
Flávio vai pra cima de Henrique, mas a corrente presa à perna dele não alcança. Henrique dá um soco em Flávio e se levanta.
HENRIQUE
Fica na sua, ou você vai ficar irreconhecível.
Henrique sai. Flávio, caído no chão, coloca a mão na cabeça, se senta, encosta na parede e fica com vontade de chorar.
Cena 15/Mansão dos Werneck/Suíte de Cristina/Int./Tarde.
RÉGIS
Eu falei com ele, Cris. Ele está bem. Eu vou pegar os cinco milhões, e logo vamos ter nosso filho aqui.
Chega uma mensagem para Cristina no celular. Ela abre a mensagem e vê uma foto de Flávio. Ele está com ferimentos no rosto e a perna acorrentada. Cristina começa a chorar olhando a foto.
CRISTINA
Eles estão maltratando o Flávio.
RÉGIS
(olha a foto, se contem para não chorar, abraça Cristina) Nós vamos cuidar dele, Cris.
Cena 16/Rio de Janeiro/Favela/Cativeiro de Flávio/Int./Noite.
Flávio está deitado no chão, tremendo, encolhido. Daniela entra e se aproxima de Flávio.
DANIELA
Flávio?
FLÁVIO
(tremendo) Está muito frio aqui.
DANIELA
(coloca a mão na testa de Flávio) Você está ardendo em febre! Eu vou trazer alguma coisa pra você.
FLÁVIO
(segura a mão de Daniela) Me ajuda… Me deixa sair daqui… Por favor…
DANIELA
Eu não posso…
Flávio fecha os olhos. Daniela vai até o banheiro, molha uma toalha e volta; se aproxima de Flávio e coloca a toalha molhada na testa dele.
DANIELA
Eu já venho.
FLÁVIO
(segura a mão de Daniela) Não me deixa aqui sozinho, meu amor… Fica comigo, Roberta.
DANIELA
(fica com pena de Flávio) Já está até delirando… Flávio, eu me chamo Daniela. Vou buscar um remédio pra você.
HENRIQUE
(entra) O que está acontecendo aqui?
DANIELA
Ele está com febre, Henrique. Eu vou buscar um remédio pra ele e uns curativos.
HENRIQUE
Você não vai fazer nada. Deixa ele ai.
DANIELA
Não posso. Vocês me chamaram para ficar cuidando dele, não foi? Não vou deixar ele morrer por ruindade sua.
HENRIQUE
Ninguém teve piedade de mim. Agora eu não tenho piedade. Por mim ele morre ai.
DANIELA
Só o remédio para abaixar a febre Henrique. por favor.
Henrique olha para Flávio encolhido e tremendo.
HENRIQUE
Tá. Mas só porque preciso desse babaca ainda. Vai buscar o remédio.
Daniela sai. Henrique se abaixa perto de Flávio e o encara.
HENRIQUE
Você é fraco. Típico riquinho mimado. Já eu, não; sou forte. A rua foi minha escola. (pega o celular, olha Flávio) Vamos mandar um vídeo para Cristina.
Henrique filma Flávio.
Cena 17/Mansão dos Werneck/Jardim/Ext./Noite.
Cristina está sentada, triste, pensativa. Janete se aproxima e dá uma xícara de chá para Cristina.
JANETE
Pra você, Cris.
CRISTINA
(pega a xícara) Obrigada.
JANETE
Entra, minha irmã. Aqui fora está frio.
Chega uma mensagem no celular de Cristina. Janete observa. Cristina abre a mensagem; vê um vídeo com Flávio encolhido num canto, tremendo, com um corte na cabeça e o rosto inchado. Janete sorri, mas disfarça. Cristina começa a chorar e se levanta.
CRISTINA
Flávio, meu amor…
JANETE
(pega o celular da mão de Cristina, a abraça) Eu não vou mais deixar isso com você, Cris. Vou dar o seu celular para o Régis. Eles querem mexer com a sua cabeça.
CRISTINA
(chorando) Meu filho precisa de mim! Bateram nele… (cai de joelhos, sem força, chorando) Eu quero meu filho de volta.
Janete observa, gostando de ver Cristina desesperada. Régis se aproxima, preocupado.
RÉGIS
O que aconteceu? (levanta Cristina)
JANETE
Mandaram um vídeo do Flávio no cativeiro e ela ficou assim.
RÉGIS
Vamos entrar, meu amor, Calma!
Régis entra com Cristina. Janete gargalha.
JANETE
Isso está ficando cada vez melhor! Não vejo a hora do Henrique chegar. Ai vai ser muito mais interessante.
Mais uma risada.
Fim do Capítulo