
Falso Amor – Capítulo 013
31/10/2024
Falso Amor – Capítulo 015
31/10/2024
Cena 1/Fundação Cristina Werneck/Frente/Rua/Ext./Dia.
Henrique segura Tamara pelo braço.
HENRIQUE
O que você está fazendo aqui?
TAMARA
Pode me soltar, Henrique; ou será que tenho que chamar tu de Flávio? (sorri)
HENRIQUE
(olha em volta, leva Tamara até o carro, abre a porta) Entra aí! (empurra Tamara para dentro do carro)
TAMARA
Calma! Eu, hein!?
Tamara se ajeita no banco e fecha a porta. Henrique d[a a volta e entra no carro.
Cena 2/Carro de Henrique/Ext./Dia.
HENRIQUE
(olhando Tamara) Eu quero você bem longe de mim.
TAMARA
Pois eu quero ficar perto, Henrique! Agora tu vai me pagar por tudo que me fez.
HENRIQUE
(aperta o pescoço de Tamara, sufocando-a) Ninguém me chantageia, entendeu?
TAMARA
(tentando soltar a mão de Henrique de seu pescoço, ficando sem ar) Me solta!
HENRIQUE
(solta Tamara, liga o carro) Vamos conversar em outro lugar! (dá a partida, sai com o carro)
Cena 3/Grupo Werneck/Sala de Reunião/Int./Dia.
Estão na sala Janete, Edgar e Glauco.
GLAUCO
Como se não bastasse ter que aturar Flávio aqui, agora, a qualquer chamado de Cristina, o Régis sai correndo feito um cão.
EDGAR
Glauco, nós viemos aqui para falarmos sobre a nossa loja que vai ser inaugurada no shopping e não da vida particular de Régis.
JANETE
O Glauco está certo. Régis é o presidente do grupo. Tem que estar presente nas reuniões.
EDGAR
Mas ele não está, então vamos falar da loja. Eeu pensei em contratar Ágata para nos ajudar.
JANETE
(olha Edgar) Ágata aqui, não acho uma boa ideia.
GLAUCO
Eu acho. Ela é inteligente, ágil, vai saber fazer propagandas que irão atrair o público.
EDGAR
Exatamente, Glauco. Vou falar com ela aínda hoje.
JANETE
Pelo jeito a minha opinião não vai contar. Querem contratar Ágata, contratem. Só não venham reclamar depois.
EDGAR
A loja terá um pouco de cada produto da marca Werneck. Régis quer que tenha vestuário, calçados, acessórios, perfumes e joias. Ele comprou um espaço para a loja ter dois andares.
GLAUCO
O que é um exagero.
JANETE
Nossos clientes precisam de conforto e não de uma loja onde, se você se virar, vai esbarrar em alguma coisa.
EDGAR
Vamos esperar Régis voltar, é melhor. Assim ele vai nos dizer em detalhes o que quer.
JANETE
(se levanta) Me avisem quando ele chegar. (sai)
Cena 4/Grupo Werneck/Sala de Janete/Int./Dia.
Janete entra, pega o celular e liga para Gilberto.
JANETE
Gilberto, como estão as coisas por aí?
GILBERTO
Tranquilas. O playboy é esperto. Sabe que, se fizer qualquer coisa, pode prejudicar alguém que ele ama. E Henrique?
JANETE
(sorri) Não sei o que ele fez, mas Cristina ligou aos prantos para Régis.
GILBERTO
Ela merece. Tudo que Henrique fizer contra ela será pouco. Cristina vai ver que ninguém me trai.
JANETE
(sorri cínica) Depois te ligo, Gilberto. (desliga, dá risada) Como ele é idiota! Ficou anos com a Cristina e acreditou quando disse que ela estava traindo ele com Régis. Cris, não queria estar em sua pele, irmãzinha.
Cena 5/Fundação Cristina Werneck/Sala de Cristina/Int./Dia.
CRISTINA
(está abraçada com Régis, triste) Flávio nunca agiu assim comigo.
RÉGIS
(abraçado) Eu vou conversar com ele, Cris.
CRISTINA
Você tinha que ver o modo como ele me olhou… Como se estivesse com raiva de mim. Eu achei que ele iria me bater.
RÉGIS
(acaricia o rosto dela) Flávio nunca faria isso, meu amor. Assim que chegar em casa, vou conversar com nosso filho.
CRISTINA
(está triste) Ele parece outra pessoa, Régis. Não sei o que fizeram com Flávio, mas o transformaram em outra pessoa.
RÉGIS
Não fica assim, meu amor. Tudo vai se resolver.
CRISTINA
Obrigada por ter vindo, Régis. Desculpa ter te atrapalhado, mas eu fiquei tão desesperada que não pensei em mais nada.
RÉGIS
Você nunca me atrapalha, Cris. (beija o rosto de Cristina) Eu te amo.
CRISTINA
(sorri um pouco) Também te amo.
RÉGIS
É melhor você ir pra casa.
CRISTINA
Não, eu vou ficar bem, meu amor.
RÉGIS
Eu vou para a empresa e, quando sair de lá, passo aqui para te buscar. (sorri, beija Cristina)
CRISTINA
(beijando Régis, sorri) Está bem.
RÉGIS
Qualquer coisa me chama. Te amo. (sai)
Cristina suspira pensativa.
Cena 6/Rua/Ext./Dia.
Henrique estaciona o carro em um lugar com pouco movimento.
HENRIQUE
Agora podemos conversar. Como você descobriu que estava aqui no lugar de Flávio?
TAMARA
Não foi difícil. Só segui a Daniela e vi seu clone naquela casinha.
HENRIQUE
E o que você quer aqui?
TAMARA
A mesma coisa que tu: mordomia. Quero aproveitar a grana que tu tem agora.
HENRIQUE
Não vou te dar um centavo.
TAMARA
Então eu vou contar a verdade para a Cristina, que você não é Flávio.
HENRIQUE
(puxa o cabelo de Tamara, segura com força) Faz isso, e eu te mato!
TAMARA
Pode parar de me bater! (se solta de Henrique, o encara) Tu está aqui, ó! Na minha mão! Ou tu faz o que quero ou vai se arrepender!
HENRIQUE
(raiva) Desce do carro antes que eu perca a cabeça e te mate com minhas próprias mãos.
TAMARA
Não vou descer. Nem conheço esse lugar.
HENRIQUE
Você se vira, é esperta.
TAMARA
Tu vai me pagar um hotel, e não quero qualquer porcaria, não. Ou um hotel ou um apartamento.
HENRIQUE
(abre a porta do lado de Tamara) Tchau, Tamara. (empurra Tamara para fora do carro, fecha a porta)
TAMARA
(se levanta rapidamente, bate na porta) Abre, Henrique!
Henrique sai com o carro. Tamara olha o carro de Henrique indo embora e fica com raiva.
TAMARA
Mas que droga! Tu vai ver uma coisa!
Cena 7/Rio de Janeiro/Favela/Barraco de Gilberto/Int./Dia.
GILBERTO
Vem cá, você ficou louca? Flávio não está passando férias aqui; ele está preso. Não vou deixar dar violão nenhum pra ele.
DANIELA
Gilberto, ele está fazendo tudo direito. Poxa, ele fica sozinho trancado o dia todo.
GILBERTO
É impressão minha ou você está apaixonada pelo playboy?
DANIELA
(disfarça) É impressão sua.
GILBERTO
Sei… Um conselho, Daniela: não se ilude. Ele é rico, nunca vai olhar para uma favelada.
Daniela fica triste e vai saindo.
GILBERTO
Daniela, pode comprar um violão para o playboy, mas usado, hein?!
DANIELA
(sorri um pouco) Tá bom. (sai)
GILBERTO
Essa Daniela…
Cena 8/São Paulo/Parque Ibirapuera/Ext./Tarde.
Henrique está sentado, usando óculos de sol e boné. Parceiro se aproxima e se senta ao lado de Henrique.
HENRIQUE
Já era hora de você chegar. (tira os óculos de sol) Parceiro, essa noite você vai incendiar a Fundação Cristina Werneck.
PARCEIRO
Esse lugar deve estar cheio de câmeras, Henrique.
HENRIQUE
Sim, mas eu já vi todas. Está fácil de se esquivar delas. O imbecil do Flávio tem as chaves da Fundação. (pega as chaves do bolso, entrega para Parceiro) Você vai entrar pelos fundos e vai dar de cara com a sala da Cristina. É lá que você vai jogar muita gasolina, mas muita mesmo, um galão todo. Depois vai jogar nos corredores. Volta, joga um fósforo e se manda. As câmeras estão na entrada da frente e no pátio.
PARCEIRO
Beleza.
HENRIQUE
Depois se encontra comigo na balada que te falei. (se levanta, coloca os óculos de sol) Se fizer tudo direito, vai ser muito bem recompensado. Não esquece de mexer no ar condicionado que está na sala da Cristina. Tem que parecer um incêndio acidental.
PARCEIRO
Pode confiar em mim.
HENRIQUE
Até mais tarde. (sai)
Cena 9/Grupo Werneck/Sala de Reuniões/Int./Tarde.
Estão presentes Régis, Janete, Glauco, Edgar e Ágata.
GLAUCO
Você me surpreendeu, Ágata. Suas ideias para promover a nova loja são excelentes.
ÁGATA
(sorri) Obrigada, tio.
JANETE
Não exagere, Glauco. O que ela disse qualquer publicitário daqui pode fazer.
EDGAR
Mas não seria justo com nossa filha já que as ideias foram dela. O que você acha, Régis?
Ágata olha Régis e sorri pra ele. Régis pensativo.
RÉGIS
(a Edgar) Eu aprovo todas as ideias que Ágata teve.
ÁGATA
(sorri) Então estou contratada?
RÉGIS
Temporariamente, sim.
ÁGATA
Você não vai se arrepender.
Ágata sorri sedutora para Régis. Janete observa.
RÉGIS
Assim espero. (levanta-se) Se me derem licença, tenho que buscar Cristina na fundação. Ela não está muito bem.
EDGAR
(preocupado) O que ela tem?
RÉGIS
Problemas com Flávio.
GLAUCO
Seu filho está causando problemas por onde passa. É melhor tomar cuidado.
RÉGIS
Como você mesmo disse, é meu filho, portanto não se meta. Com licença. (sai)
GLAUCO
(se levanta) Espero que Flávio não faça nada de mal para Roberta.
EDGAR
Não se preocupe com Roberta. Ela é minha filha.
ÁGATA
Adotiva, que fique bem claro.
EDGAR
(se levanta) Pare de implicar com sua irmã e vem comer alguma coisa comigo.
JANETE
Antes eu quero falar com ela.
EDGAR
Te espero na minha sala. (sai)
GLAUCO
Parabéns, Ágata. Tenho certeza que você irá ficar conosco. (sai)
ÁGATA
(sorri; a Janete) Quer me cumprimentar também, mamãe?
JANETE
(encara Ágata) Não, eu quero te advertir mais uma vez para que fique bem longe de Régis.
ÁGATA
(da risada, se levanta) Impossível. Agora Régis e eu teremos uma relação profissional.
JANETE
(se levanta, sorri) Se passar disso você terá uma inimiga, que serei eu.
ÁGATA
(finge estar assustada) Poxa, mamãe! Estou morrendo de medo. (dá risada, sai)
JANETE
(com raiva) É melhor ter medo, Ágata. Você não faz ideia do que sou capaz.
Cena 10/Mansão dos Werneck/Jardim/Ext./Tarde.
Silvia está tomando chá. Frederico se aproxima e senta com Silvia.
FREDERICO
Preciso falar com você.
SILVIA
Sobre o quê?
FREDERICO
Meu filho.
SILVIA
O que tem Régis?
FREDERICO
Não estou falando do Régis e sim do meu filho com a Sueli.
SILVIA
Não sei de nada desse bastardo, já falei.
FREDERICO
Eu sei, mas coloquei um detetive para cuidar disso e vim te pedir que não atrapalhe.
SILVIA
(sorri) Faça o que quiser, menos ver Sueli. Se ficar assim como está, eu não farei nada contra. E se você achar esse bastardo, o que fará?
FREDERICO
Pretendo registrar o menino, dar tudo o que pertence a ele.
SILVIA
Você vai tirar as coisas de Régis?
FREDERICO
Não, eu apenas vou dividir as coisas entre os dois.
SILVIA
Frederico, estamos falando de uma criança. Caso você encontre esse menino, é a Sueli que vai administrar o que pertence a ele, como você diz, e isso eu não vou permitir.
FREDERICO
Então eu deixo Régis cuidando do que pertence ao irmão. Está bom assim?
SILVIA
Está.
O celular de Frederico toca.
FREDERICO
(atende) Alô. (tempo; sorri) Oi, minha querida! Como você está? (Silvia observa) Claro que sim. Será muito bem-vinda. Me avise quando, para que eu vá te buscar, está bem? Até logo. (desliga)
SILVIA
Quem era?
FREDERICO
A Elisa.
SILVIA
(sorri) Como ela está?
FREDERICO
Bem, e me pediu para passar uns dias aqui conosco.
SILVIA
Perfeito! Até que enfim vou ter com quem conversar. Essa menina virá em boa hora.
Cena 11/Rio de Janeiro/Favela/Cativeiro de Flávio/Int./Tarde.
Flávio está sentado, encostado na parede. Daniela entra com um violão na mão e sorri.
DANIELA
Olha o que eu consegui pra você.
FLÁVIO
(se levanta, sorri, pega o violão, fica feliz) Poxa, eu nem sei como te agradecer, Daniela! (abraça Daniela)
DANIELA
(sorri, mas disfarça e fica sem graça) Era o mínimo que eu poderia fazer por você.
FLÁVIO
(se senta na cadeira) Você tem se mostrado uma amiga. Obrigado.
DANIELA
(sorri) Eu falei com o Tico também, e ele está doido pra falar com você.
FLÁVIO
(sorri) Se ele for meu tio, vai ser engraçado. (começa a tocar uma música no violão)
DANIELA
(observa, sorri) Você sabe tocar muito bem.
FLÁVIO
(sorri tocando a música) Eu sou professor de música. Também toco piano e, nas horas vagas, sou administrador do grupo Werneck. (dá risada; fica pensativo) Meu pai odeia que eu prefira a música aos negócios.
DANIELA
Mas você tem que fazer aquilo que gosta.
FLÁVIO
Você faz o que?
DANIELA
Eu olho umas crianças em alguns fins de semana.
FLÁVIO
Já teve vontade de fazer outra coisa?
DANIELA
Sempre tive vontade de ser professora, mas não consegui fazer faculdade.
FLÁVIO
Minha noiva é professora. Você leva jeito, Daniela. Nunca é tarde para começar. Se é isso que você quer, corra atrás.
DANIELA
(sorri) Quem sabe… Agora eu já vou. Mais tarde eu volto para te trazer comida.
FLÁVIO
Você tem alguma notícia do que está acontecendo com a minha família?
DANIELA
Não.
FLÁVIO
Eu sinto que alguma coisa de ruim vai acontecer. (fica preocupado)
Cena 12/Mansão dos Werneck/Sala/Int./Tarde.
Régis está sentado. Henrique entra.
RÉGIS
(se levanta) Eu estava te esperando.
HENRIQUE
(olha Régis) Ah, é?
RÉGIS
(sério) Sim, eu já soube o que você fez com a sua mãe na fundação.
HENRIQUE
(sorri cínico) Ela costuma sempre chorar no seu ombro?
RÉGIS
(se aproxima de Henrique, o encara) Não vou permitir que você maltrate Cristina, seja lá o motivo que for. Ela é sua mãe e te ama muito.
HENRIQUE
(encara Régis) O que aconteceu na fundação foi uma loucura. Sei que passei dos limites e nem sei bem o motivo.
RÉGIS
Então diga isso a Cristina, que ficou muito mal com sua atitude.
HENRIQUE
Vou falar com ela.
RÉGIS
E você vai passar a ter consultas com um psicólogo. Estamos preocupados com essa sua mudança repentina.
HENRIQUE
Será? Sei que você gostou quando escolhi o grupo Werneck e não a música. Agora, se me dá licença, tenho que me arrumar. Vou sair daqui a pouco.
Henrique sobe as escadas. Régis pensativo.
Cena 13/Mansão dos Werneck/Suíte de Flávio/Int./Tarde.
HENRIQUE
(entra, nervoso) Não sei quanto tempo vou aguentar fingir. (o celular toca, atende) Alô?
TAMARA
Henrique?
HENRIQUE
(sorri) Tamara, você até que ligou em boa hora. Quer me ver hoje à noite?
TAMARA
Nossa! Pra tu ta assim todo alegrinho, só pode estar armando.
HENRIQUE
Você me conhece bem. Então vai sair comigo ou não?
TAMARA
Tá bom.
HENRIQUE
Anota o endereço e me encontra lá. (sorri)
Cena 14/Mansão dos Werneck/Sala/Int./Tarde.
ÁGATA
(entra, sorri) Oi!
RÉGIS
O que você quer aqui?
ÁGATA
Eu vim falar com Flávio.
RÉGIS
Ele está no quarto dele.
ÁGATA
E minha tia Cris?
RÉGIS
Tomando banho. Com licença.
ÁGATA
(segura o braço de Régis; o olha nos olhos) Eu ainda não te agradeci por ter me contratado. (beija Régis)
RÉGIS
(beija Tamara, a empurra, nervoso) Você ficou louca? Nunca mais faça isso aqui!
ÁGATA
(sorri) Em que lugar posso fazer então?
RÉGIS
Em lugar nenhum, entendeu?
ÁGATA
Quando vamos ficar a sós?
RÉGIS
Ágata, para com isso, já chega! Eu não quero perder o amor da minha vida, que é a Cristina, por algo de uma noite.
ÁGATA
(se aproxima de Régis, fala baixo no ouvido dele) Então não conta pra ela. (sorri)
Régis sobe as escadas. Ágata ri e se senta.
ÁGATA
Estou adorando esse jogo, mas já está na hora de mudar a fase. (sorri)
Henrique está descendo as escadas.
ÁGATA
(sorri) Oi Flávio! O que quer falar comigo?
HENRIQUE
(beija o rosto de Ágata e sorri) Eu quero que você venha comigo e uns amigos para uma balada.
ÁGATA
Eu vou adorar. Não tenho nada para fazer essa noite mesmo. Mas é estranho você me convidar. E a Roberta?
HENRIQUE
Ela não vai poder ir. Vai ficar fazendo prova para as crianças, coisa chata.
ÁGATA
(dá risada) Concordo, e quem vai conosco?
HENRIQUE
Você não conhece. São amigos meus. Se quiser pode levar seu irmão.
ÁGATA
Está combinado, então. Me manda uma mensagem com o nome da boate e o endereço.
HENRIQUE
Vou mandar. (encara Ágata)
ÁGATA
(sorri) O que foi, primo?
HENRIQUE
Você é muito gostosa.
ÁGATA
(ri) Obrigada. Até logo. (sai)
HENRIQUE
Como aquele idiota conseguiu recusar ficar com essa mulher, não entendo. Por mais que Roberta seja linda, eu não resistiria a Ágata.
Cena 15/Casa de Sueli/Sala/Int./Tarde.
Bruno entra.
SUELI
Aconteceu alguma coisa, Bruno?
BRUNO
Não, eu vim aqui te fazer um convite.
SUELI
Que convite?
BRUNO
Minha irmã acabou de me mandar uma mensagem me chamando para ir com ela hoje à noite para uma balada, e eu vim te convidar para ir comigo.
SUELI
(dá risada) Bruno, não tem cabimento isso. Me imagina em uma balada.
BRUNO
Não vejo nada demais. Você é linda, fica sozinha aqui, e eu gostaria muito que você viesse comigo.
SUELI
A minha resposta é não. E sabe por que eu fico sozinha aqui? `Porque eu quero assim. Estou bem assim, e pare de tentar me conquistar você não vai conseguir. Procure alguém da sua idade.
BRUNO
Nenhuma outra mulher mexe comigo como você, Sueli.
SUELI
Bruno, você já fez o convite; agora pode ir.
Bruno beija Sueli. Ela o empurra, dá um tapa no rosto dele e abre a porta, nervosa.
SUELI
Sai daqui! E não volta mais!
Bruno sai triste, com a mão no rosto. Sueli bate a porta com força.
SUELI
Mas que atrevido!
Cena 16/Fundação Cristina Werneck/Ext./Noite.
Parceiro entra pelos fundos. Está com o rosto coberto com uma máscara, trazendo alguns galões de gasolina nas mãos. Entra na sala de Cristina. Começa a jogar gasolina pela sala toda, inclusive em cima dos móveis. Olha o ar condicionado; mexe nos fios. Joga mais gasolina na sala de Cristina. Sai da sala. Joga gasolina nos corredores onde não tem câmera de segurança. Afende um fósforo, joga no corredor. Volta para a sala de Cristina e acende outro fósforo. Joga em cima da mesa, fecha a porta e sai pelos fundos. O fogo se espalha por toda a fundação.
Cena 17/Balada/Int./Noite.
Henrique está sentado a uma mesa acompanhado de Tamara. Ele bebe. O celular toca, e Henrique atende.
HENRIQUE
Alô?
PARCEIRO
Tudo feito, Henrique. O lugar vai virar cinzas.
HENRIQUE
(dá risada) Então vem pra cá comemorar, Parceiro. (desliga, está feliz)
TAMARA
(sorri) Nossa! O que aconteceu pra tu ficar feliz assim?
HENRIQUE
(sorri) A fundação da Cristina está pegando fogo, Tamara Júlia. (gargalha)
TAMARA
(sorri um pouco) Tu não vale nada mesmo.
HENRIQUE
(beija Tamara; bebe) Vamos dançar, Tamara. Eu preciso extravasar essa felicidade.
Henrique se levanta, pega Tamara pela mão e a leva para a pista de dança. Isto chama a atenção de um fotógrafo. Henrique beija Tamara, e o fotógrafo tira fotos do beijo, dos dois dançando e se abraçando.
Fim do Capítulo