
Falso Amor – Capítulo 016
31/10/2024
Falso Amor – Capítulo 018
31/10/2024
Cena 1/Mansão dos Werneck/Sala/Int./Tarde.
CRISTINA
(a Henrique) Eu só quero te ajudar e entender o que está acontecendo.
Silvia entra. Cristina e Henrique não percebem a presença dela, que fica observando a conversa. Henrique segura o braço de Cristina com raiva.
HENRIQUE
Eu sei quem você é, Cristina. Não precisa fingir ser quem não é. Quanto mais longe você ficar de mim, melhor vai ser!
Henrique solta Cristina e sobe as escadas. Silvia se aproxima.
SILVIA
O que está acontecendo entre você e Flávio?
CRISTINA
(enxuga as lágrimas) Nada demais, Silvia.
EDGAR
(entra) Com licença. Oi, Cris. (abraça Cristina, fecha os olhos) Vim ver como você está.
CRISTINA
Péssima.
SILVIA
Imagine como Régis está. Cristina coloca tudo nos ombros do meu filho, acha que ele é o super-homem.
CRISTINA
(raiva) Régis é meu marido! Nós dividimos tudo e todos os momentos.
SILVIA
Eu só vejo você colocando problemas na vida do meu filho. Nunca te vi consolando ou ajudando Régis.
CRISTINA
Vamos dar uma volta. Estou ficando sem ar aqui.
EDGAR
Claro. (sai com Cristina)
SILVIA
Sonsa! Não vejo a hora de me livrar de você.
Cena 2/Apartamento de Sueli/Sala/Int./Tarde.
A campainha toca. Sueli vê Frederico ao abrir a porta.
SUELI
O que você quer aqui?
FREDERICO
Posso entrar?
SUELI
Não.
FREDERICO
Eu vim te falar que contratei um detetive para encontrar nosso filho e denunciei o caso para várias instituições que cuidam disso.
SUELI
Eu já fiz tudo isso, Frederico, mas toda a ajuda é bem-vinda. Era só isso?
FREDERICO
Você realmente não quer nada comigo, não é?
SUELI
Não. Você, além de ter sido covarde, é casado com uma mulher muito perigosa. Não quero em nenhum momento perder a chance de reencontrar o meu filho, portanto esqueça que eu existo.
Sueli fecha a porta, abaixa a cabeça e chora.
Cena 3/Rio de Janeiro/Favela/Rua/Ext./Tarde.
Daniela está aflita. Tico se aproxima com uma sacola na mão.
TICO
Aqui, Dani.
DANIELA
(pega a sacola) Você pediu tudo direitinho para o moço da farmácia?
TICO
Ele não me queria vender, mas dei meu jeito. Pedi para um cara que vinha passando comprar.
DANIELA
(beija o rosto de Tico, dá dinheiro a ele) Obrigada! Você é um anjo, menino. (vai saindo, apressada)
TICO
Dani, me leva com você. Quero ver o clone do Henrique.
DANIELA
Fala baixo, menino!
TICO
Me leva, Dani, por favor.
DANIELA
Tá bom, Tico, mas só porque o Gilberto saiu. Vem logo, que ele está muito doente. (segura a mão de Tico, sai apressada)
Cena 4/SMansão dos Werneck/Sala/Int./Tarde.
Miguel entra. Silvia se aproxima.
SILVIA
O que você está fazendo aqui?
MIGUEL
(sorri) Depois de tanto tempo, esperava uma recepção melhor, Silvia.
SILVIA
A sua presença para mim é insignificante. Agora, se Frederico chegar e te ver aqui, não vai gostar.
MIGUEL
É mesmo? Adivinha… Não estou nem aí. Esta casa também é minha.
SILVIA
Errado. Essa casa é do Régis, um presente do Frederico.
MIGUEL
Seja como for, eu vim para ficar. Cansei de ficar viajando por aí.
Henrique desce as escadas, olha Miguel, mas não sabe quem é.
MIGUEL
Não me reconhece mais, Flávio?
HENRIQUE
Sendo sincero, não.
MIGUEL
A última vez que você me viu, era pequeno e aposto que nessa casa não me mencionam. Eu sou irmão mais novo do seu avô. Me chamo Miguel.
HENRIQUE
Verdade, nunca ouvi falar de você.
SILVIA
Miguel e Frederico não se dão bem, tudo por causa de uma mulher.
MIGUEL
Não vamos falar disso. Eu estou de volta doa a quem doer.
Henrique observa Miguel, sorri um pouco.
Cena 5/Interior de São Paulo/Bar/Int./Tarde.
Gilberto está sentado, bebendo. Janete entra nervosa e se aproxima da mesa em que Gilberto está. Lá se senta.
JANETE
Não podemos deixar que Régis encontre o médico que nos ajudou!
GILBERTO
Eu estou bem, e você?
JANETE
Não temos tempo para bobagens!
GILBERTO
Calma, fica tranquila. Tenho certeza que vou encontrar ele antes do Régis e, quando isso acontecer, vou dar um jeito de calar a boca dele.
JANETE
Assim espero. Cristina já sabe que o filho está vivo. Não podemos deixar mais nada fugir do nosso controle. Eu preciso de você por perto. Dá um jeito e se enfia em qualquer lugar em São Paulo com o Flávio.
GILBERTO
Você acha que as coisas são fáceis assim?
JANETE
São sim, é só dar um jeito.
GILBERTO
Vou pensar em uma solução.
JANETE
Quanto antes melhor. Não posso correr o risco deles descobrirem a verdade.
GILBERTO
Não podemos, Janete. Você não faz ideia do que o Henrique é capaz. Se ele descobrir a verdade que eu o roubei e menti pra ele esse tempo todo, ele vai me matar.
Janete pensativa.
Cena 6/Rio de Janeiro/Favela/Cativeiro de Flávio/Int./Tarde.
Flávio está deitado em um colchão. Daniela o olha, passa a mão no cabelo dele. Tico se aproxima com um copo com água.
TICO
Aqui, Dani.
DANIELA
(pega o copo, ajuda Flávio a se sentar) Flávio, tenta tomar um pouco de água.
FLÁVIO
(olha Daniela, vê o rosto de Roberta, acaricia o rosto dela, a olha nos olhos) Eu te amo, Roberta.
DANIELA
Tico, ele está delirando por causa da febre.
TICO
Você já deu o remédio pra ele?
DANIELA
Já, mas não faz efeito.
FLÁVIO
(segura o rosto de Daniela com as duas mãos) Te amo, você é tudo pra mim.
Flávio beija Daniela. Tico sorri. Daniela se afasta, sem graça.
TICO
Dani, ele gosta de você.
DANIELA
Gosta nada, Tico. Ele gosta da tal Roberta. Você não ouviu ele me chamando assim?
TICO
E você? Gosta do clone do Henrique?
DANIELA
Que conversa mais besta essa, menino. Para de jogar conversa fora e me ajuda. Ele tem que comer antes do Gilberto chegar, e tomara que a febre abaixe.
Flávio tosse muito. Daniela pega o copo com água e ajuda Flávio a beber.
FLÁVIO
Nosso casamento está perto.
DANIELA
Quem me dera…
Cena 7/Cemitério/Túmulo de Felipe/Ext./Tarde.
CRISTINA
(está olhando para o túmulo de Felipe, pensativa, triste) Esses anos todos eu chorei pela morte do meu filho. Uma morte que nunca existiu. Eu preciso saber o que aconteceu e poder provar para o Felipe, ou melhor, Henrique, que eu seria incapaz de me desfazer dele.
Cena 8/Saída do Cemitério/Ext./Tarde.
Edgar está encostado em seu carro, esperando Cristina. Ela se aproxima.
CRISTINA
Obrigada por me esperar, Edgar.
EDGAR
Não precisa agradecer, Cris. Te ajudo de coração. Você quer ir em algum outro lugar?
CRISTINA
Para a Fundação. Sei que não tem muita coisa por lá, mas quero ver como estão as coisas e tentar recomeçar.
EDGAR
Eu te levo.
CRISTINA
Não precisa. Eu já te atrapalhei demais. Vou chamar um táxi.
EDGAR
De jeito nenhum, você não está me atrapalhando, e também quero ajudar na reconstrução.
CRISTINA
(sorri um pouco) Está bem então. Vou com você.
Edgar sorri para Cristina.
Cena 9/Shopping/Loja de Móveis/Int./Tarde.
Henrique está sentado esperando Roberta, que está conversando com um vendedor.
ROBERTA
(se aproxima de Henrique) Meu amor, já resolvi o problema dos nossos móveis da sala. Eles vão conseguir entregar tudo no prazo combinado. (sorri)
HENRIQUE
(está se sentindo mal) Que bom.
ROBERTA
O que você tem? (se senta ao lado de Henrique, preocupada)
HENRIQUE
Não sei. Comecei a passar mal de repente, acho que vai me dar gripe.
ROBERTA
(coloca a mão na testa de Henrique para ver a temperatura) Flávio, você está ardendo em febre! Precisa ir ao médico.
HENRIQUE
Não, é melhor tomar um remédio para a febre abaixar.
ROBERTA
Deixa de ser teimoso, meu amor. Vcê não sabe a origem dessa febre. Tem que ir ao médico, sim. Eu te levo.
HENRIQUE
(tosse, fica com dificuldade para respirar) Sabe de uma coisa? Tenho que parar de fumar.
ROBERTA
Você nunca fumou e resolveu começar enquanto esteve preso no cativeiro. Fez muito mal, meu amor. Pode ser isso mesmo.
HENRIQUE
Daqui a pouco passa, princesa. Vamos comer alguma coisa.
ROBERTA
Nada disso. Vou te levar ao médico.
HENRIQUE
(sorri) Sabia que você é linda?
ROBERTA
(sorri) Não adianta vir com elogios. Você não vai fugir.
HENRIQUE
Eu vou com você, sim. Estou preocupado também. Nunca me senti mal desse jeito.
ROBERTA
É melhor eu avisar à Cris.
HENRIQUE
Não! Vamos só você e eu. Ela não tem que saber.
ROBERTA
(estranha a atitude dele) Por quê, Flávio?
HENRIQUE
(disfarça) Porque acho cedo para preocupar a mamãe.
ROBERTA
Tem razão. Vamos, meu amor. (ajuda Henrique se levantar)
Henrique admira Roberta. Ela sorri.
ROBERTA
O que foi?
HENRIQUE
(sorri um pouco) Essa atenção toda que você me dá… nunca tive.
ROBERTA
Já está delirando, meu amor. E a Cris? Como nunca teve atenção?
HENRIQUE
Fora ela… Só tenho isso com você, princesa.
ROBERTA
(sorri, beija Henrique) Vamos, não podemos perder tempo, meu amor. Você vai ver. Vai ser rápido, e logo você estará melhor. (sai com Henrique)
Cena 10/Grupo Werneck/Administração/Int./Tarde.
Régis está de saída, a porta do elevador abre, Miguel sai do elevador. Régis fica surpreso. Miguel se aproxima de Régis.
MIGUEL
Não vai dar as boas vindas pro seu tio?
RÉGIS
Sinceramente, não. E meu pai não vai gostar de te ver aqui.
MIGUEL
Pouco me importa. Isso aqui é meu também, e é melhor se acostumar porque eu voltei definitivamente.
FREDERICO
(sai de sua sala, olha Miguel, fica com raiva) O que você está fazendo aqui?
MIGUEL
Acho melhor você adivinhar, assim tem mais graça.
FREDERICO
Fora daqui!
MIGUEL
Não. Eu vim retomar tudo o que é meu, e nem você e nem ninguém pode me tirar daqui ou da minha casa, que você deu para seu filho sem me consultar.
FREDERICO
(vai para cima de Miguel, está com raiva) Eu nunca vou te perdoar!
MIGUEL
Nunca te pedi perdão e nem vou!
RÉGIS
(separa Miguel e Frederico) Parem de brigar!
Glauco sai de sua sala e observa.
MIGUEL
O que seu papai não entende é que a Karina me amava. Ela morreu naquele acidente de carro quando estava indo se encontrar comigo!
Frederico dá um soco no rosto de Miguel. Glauco segura Miguel para ajudar Régis separar a briga. Régis segura Frederico.
RÉGIS
Vamos para casa, papai!
FREDERICO
É ele quem tem que sair daqui!
MIGUEL
Não vou sair! E daqui a pouco vou para casa, não importa em nome de quem ela esteja!
RÉGIS
Glauco, leva meu tio para a sua sala!
GLAUCO
(segurando Miguel) Vem comigo. Aqui não é lugar de brigar.
MIGUEL
(encara Frederico) Melhor você cair na real e ver que brigar já não resolve mais nada.
Glauco abre a porta de sua sala para Miguel entrar. Miguel entra. Glauco entra em seguida e fecha a porta. Frederico se apoia em uma mesa, nervoso e ofegante.
RÉGIS
Você está bem, papai?
FREDERICO
Não, Régis. Não sei por que esse infeliz foi voltar.
Cena 11/Hospital/Quarto de Henrique/Int./Noite.
HENRIQUE
(está deitado na cama, impaciente) Roberta, esse médico foi fazer o que, hein? Que demora! Eu tenho mais o que fazer.
ROBERTA
Mais um pouco de paciência, Flávio. Ele foi pegar o resultado dos exames que você fez.
HENRIQUE
(impaciente, nervoso) Onde? Na China?
ROBERTA
(sorri) Calma, ele já deve estar vindo. (o médico entra)
HENRIQUE
Até que enfim, doutor! Já posso ir?
MÉDICO
Ainda não. Você vai ter que passar a noite aqui.
ROBERTA
Por quê, doutor?
MÉDICO
Flávio está com princípio de pneumonia.
HENRIQUE
(se levanta da cama) Agora que já sei o que tenho. É só me receitar um remédio. Não vou passar a noite aqui coisa nenhuma.
ROBERTA
Meu amor, isso é perigoso. Se você piorar, pode morrer.
MÉDICO
É só uma noite, Flávio. Você precisa ficar em observação.
ROBERTA
Eu fico com você, Flávio. Por mim… Fica só essa noite aqui.
HENRIQUE
(se senta na cama) Só porque você está me pedindo.
ROBERTA
Obrigada, meu amor. Vou avisar à Cris.
HENRIQUE
Avise, mas diga a ela que não se preocupe e nem venha aqui. Não quero que ela me veja assim.
ROBERTA
Como você quiser. Vou ligar lá fora porque aqui não tem sinal.
MÉDICO
Eu volto mais tarde, com licença. (sai)
ROBERTA
Não demoro. (sai)
HENRIQUE
(sério) Mas que droga! Isso só pode ser praga do playboy.
Cena 12/Rio de Janeiro/Favela/Cativeiro de Flávio/Int./Noite.
Flávio está sentado. Daniela se aproxima com um prato de sopa.
DANIELA
Aqui, Flávio.
FLÁVIO
Obrigado, Daniela. Se não fosse você, nem sei como estaria agora.
DANIELA
Não precisa agradecer, e você ainda não está bem.
FLÁVIO
Estou me sentindo melhor, mas às vezes me dá falta de ar.
GILBERTO
(entra, encara Flávio) Soube que você teve tratamento vip enquanto estive fora.
DANIELA
Gilberto, ele ficou muito mal. Se eu deixasse ele daquele jeito, sabe-se lá o que poderia acontecer.
GILBERTO
(a Flávio) Presta atenção: em breve a gente vai para outro lugar e, se você fizer qualquer coisa errada, sua mamãe vai encontrar o seu corpo jogado por aí, fui claro?
FLÁVIO
Para onde vamos?
GILBERTO
Não te interessa. E vê se dá um jeito nessa cara. Preciso que você se passe por Henrique outra vez. (sai)
DANIELA
O que será que o Gilberto está aprontando?
FLÁVIO
Não sei. Mas essa é a oportunidade que precisava para fugir.
DANIELA
Você não ouviu o que ele disse? Gilberto te mata se você fizer isso.
FLÁVIO
Ele não vai me matar porque ainda precisa de mim, e eu não vou esperar ele não precisar mais, porque aí sim ele me mata. Eu vou fugir; aliás, nós vamos, você, Tico e eu. (Daniela pensativa)
Cena 13/Mansão dos Werneck/Sala/Int./Noite.
Silvia está sentada no sofá. Régis entra com Frederico.
FREDERICO
Não quero Miguel nessa casa.
SILVIA
Pelo jeito, Miguel foi até o grupo Werneck.
RÉGIS
Foi e causou uma confusão. Papai e ele brigaram.
SILVIA
Que coisa mais infantil!
FREDERICO
Silvia, não estou a fim de ouvir suas grosserias. (sobe as escadas)
RÉGIS
A Cris está no quarto?
SILVIA
Ela saiu.
RÉGIS
Ela foi aonde?
SILVIA
Não faço ideia, mas ela estava muito animada. Aquele seu amigo veio buscar ela… o Edgar.
RÉGIS
Cristina não está animada, mamãe. Muitas coisas estão acontecendo, e você não faz ideia.
SILVIA
Abre o olho, Régis. Ela nunca me enganou. Com aquele jeitinho meigo, sonso, pode estar te traindo com seu melhor amigo.
RÉGIS
(nervoso) Eu não vou admitir que você fale assim da mulher que eu amo!
SILVIA
E ela te ama?
RÉGIS
Eu não vou ficar aqui ouvindo essas besteiras!
Cristina entra com Edgar. Está um pouco mais animada, sorrindo. Aproxima-se de Régis.
CRISTINA
Oi, meu amor. Chegou faz tempo?
RÉGIS
(sério) Cheguei agora porque estava preocupado com você, mas chego aqui e descubro que você saiu com Edgar; e pelo jeito não tinha motivos para me preocupar. Você está muito bem. (Silvia sorri, mas disfarça)
EDGAR
Régis, quando eu cheguei aqui a Cris estava mal, e ela me pediu para acompanhá-la.
CRISTINA
Eu estava muito nervosa e precisava sair, e você não estava.
RÉGIS
(nervoso) Eu estava trabalhando, afinal alguém aqui tem que fazer isso.
CRISTINA
(chateada) Por que você está falando assim comigo?
EDGAR
(sem graça) Régis, não aconteceu nada demais.
RÉGIS
Me faz um favor, Edgar, vai embora. Ppreciso falar com minha mulher.
EDGAR
Eu não queria causar nenhum transtorno.
CRISTINA
E não causou; ao contrário, você me ajudou muito. Obrigada.
EDGAR
(sorri um pouco) Não tem nada que agradecer. Até logo. (sai)
CRISTINA
Agora você pode me explicar por que agiu assim tão estúpido?
SILVIA
(se levanta, se aproxima de Régis) Uma mulher casada não deve sair por aí com outro homem enquanto o marido trabalha.
RÉGIS
Dessa vez você tem razão, mamãe.
CRISTINA
Não tem razão alguma. Eu não fui por aí com Edgar. Ele me levou até o cemitério e depois até a Fundação.
RÉGIS
Nós sabemos que não há motivos para você ir ao cemitério, e a Fundação não existe mais.
CRISTINA
Você está duvidando de mim? Acha que eu te traí com Edgar? É isso, Régis?
SILVIA
Até eu estou achando.
CRISTINA
(com vontade de chorar) Responde!
RÉGIS
Você estava muito à vontade com ele.
CRISTINA
Sabe o que mais acaba comigo, Régis? É ver que sua mãe está te envenenando contra mim e você está caindo. (sobe as escadas)
RÉGIS
(fecha os olhos) O que eu fiz?
SILVIA
O que era certo.
RÉGIS
Não! Me deixei levar por você!
SILVIA
Será? Você mesmo viu como os dois estavam felizes.
RÉGIS
Cristina seria incapaz de me trair.
Régis sobe as escadas. Silvia sorri vitoriosa.
Fim do Capítulo