Falso Amor – Capítulo 014
31/10/2024
Falso Amor – Capítulo 016
31/10/2024
Falso Amor – Capítulo 014
31/10/2024
Falso Amor – Capítulo 016
31/10/2024

Falso Amor – Capítulo 015

Cena 1/Apartamento de Roberta/Sala/Int./Noite.

Roberta está sentada, mexendo no notebook. A campainha toca. Roberta se levanta e vai abrir a porta. Glauco sorri para Roberta.

GLAUCO

Atrapalho?

ROBERTA

(sorri) Claro que não, Glauco. Pode entrar.

GLAUCO

(entra, entrega uma sacola para Roberta) Eu sei que você está ocupada fazendo as provas que vai dar. Passei no restaurante aqui perto e comprei isso pra você.

ROBERTA

(sorri) Obrigada! Eu acabei de fazer a prova e estava vendo umas coisas na internet.

GLAUCO

(se senta) Estranho não encontrar Flávio por aqui.

ROBERTA

(se senta) Ele foi para uma balada. Não deu para ir com ele.

GLAUCO

Você deve confiar muito nele.

ROBERTA

(sorri) Sim. Não vejo problema dele sair sem mim. 

O notebook faz um som de notificação. Roberta vê nele uma foto de Henrique beijando Tamara. Fica olhando por um tempo, com vontade de chorar.

GLAUCO

O que aconteceu?

ROBERTA

(as lágrimas escorrem, começa a ler) Flávio Werneck se diverte na noite paulistana. (mostra a foto para Glauco)

GLAUCO

(olha a foto) Essa moça esteve hoje no grupo Werneck procurando pelo Flávio.

ROBERTA

(se levanta, está triste, chora) Isso não é possível. Flávio não pode estar me traindo.

GLAUCO

(se levanta, abraça Roberta) Não fica assim, Roberta. eu sempre te alertei sobre ele.

ROBERTA

(se afasta de Glauco; está nervosa, triste, chorando) O meu Flávio seria incapaz de fazer isso comigo! 

GLAUCO

Mas é ele na foto beijando essa garota.

Roberta pega o celular e liga para Flávio. Cai na caixa postal Ela joga o celular no sofá, chora e se senta. Glauco se senta ao lado dela e a abraça.

GLAUCO

Calma, Roberta! Não fica assim. Eu estou aqui.

Roberta chora.

Cena 2/Balada/Int./Noite.

Henrique está bebendo. Ágata se aproxima e sorri.

ÁGATA

Oi, primo!

HENRIQUE

(sorri) Nossa! Você se superou, está maravilhosa! (Ágata ri)

TAMARA

(se aproxima) Quem é essa periguete?

ÁGATA

Periguete? 

HENRIQUE

Não vão brigar! Tamara, essa é minha prima Ágata. Ágata, essa é Tamara, uma amiga do curso se música.

ÁGATA

Pelo que vejo ela é mais que amiga, ficou com ciúmes de mim.

TAMARA

Nada disso, é só meu jeito mesmo.

Parceiro se aproxima e fica de olho em Ágata, com desejo.

HENRIQUE

(fica feliz ao ver Parceiro, o abraça) Parceiro! Deixa te apresentar. Essa é minha prima Ágata.

ÁGATA

(sorri) Oi.

PARCEIRO

(encantado com Ágata) Ágata… Gata mesmo.

ÁGATA

(dá risada) Obrigada, qual é o seu nome?

PARCEIRO

Alexandre, mas todo mundo me chama de Parceiro.

HENRIQUE

Eu nem sabia que seu nome era Alexandre.

TAMARA

Nem eu.

ÁGATA

Eu vou te chamar de Alexandre.

PARCEIRO

Você pode me chamar do que quiser.

HENRIQUE

(ri) Está apaixonado, Parceiro?

PARCEIRO

(olhando Ágata) E como…

ÁGATA

(segura a mão de Parceiro) Então vem dançar comigo, Alexandre.

Ágata leva Parceiro para a pista de dança. Henrique bebe mais.

TAMARA

Henrique, tu não acha que já bebeu demais?

HENRIQUE

Eu estou comemorando! Estou feliz! (beija Tamara)

REPÓRTER

(se aproxima tirando foto de Henrique beijando Tamara) O que aconteceu com seu noivado, Flávio?

HENRIQUE

(se assusta, fica bravo) Que palhaçada é essa, meu irmão?

REPÓRTER

Quem é a morena, Flávio? (Tamara vira o rosto)

HENRIQUE

(raiva) Eu vou contar até três. Se você não sumir daqui, eu vou quebrar sua cara e essa câmera.

SEGURANÇA

(se aproxima, segura o repórter) Desculpa pelo inconveniente, Flávio.

HENRIQUE

Deixa ele bem longe de mim!

O segurança leva o repórter para fora.

TAMARA

(sorri) Até que bancar o Flávio tem vantagem, hein!? Segurança vem tirar quem está incomodando.

HENRIQUE

(fica sério) Se esse cara publicar nosso beijo, posso colocar tudo a perder. Flávio é noivo e babaca; não daria bandeira assim.

TAMARA

E nem quebraria a cara de ninguém. (sorri)

HENRIQUE

(dá risada) Eu soquei a cara dele.

Tamara beija Henrique.

Cena 3/Mansão dos Werneck/Sala/Int./Noite.

Régis e Cristina entramfelizes.

RÉGIS

(sorri) Eu te amo, Cris.

CRISTINA

(sorri) Eu também te amo, Régis. Você me disse isso durante o jantar muitas vezes. Eu adoro ouvir, mas estou estranhando. Está acontecendo alguma coisa?

RÉGIS

Está eu quero fazer uma viagem com você, uma segunda lua de mel.

CRISTINA

(sorri) Eu adorei a ideia, meu amor; mas e nossos negócios?

RÉGIS

Deixamos alguém tomando conta. Você pode deixar Roberta na Fundação, e eu deixo Flávio e Edgar no grupo Werneck.

CRISTINA

Então tudo bem. Vamos à nossa segunda lua de mel. (ela e Régis se beijam)

SILVIA

(se aproxima) Pelo jeito, hoje à noite, está pegando fogo em muitos lugares.

RÉGIS

O que você quer dizer com isso?

SILVIA

Enquanto você estavam se divertindo por aí, a amiguinha da Cristina ligou.

CRISTINA

Sueli?

SILVIA

Sim, e ela me disse que não estava conseguindo falar com você.

CRISTINA

Eu desliguei o celular.

RÉGIS

E eu também. Odeio ser incomodado quando estou com Cristina.

SILVIA

Pois é, mas ela queria contar para vocês que a Fundação Cristina Werneck estava sendo consumida pelas chamas do incêndio que tomou conta do lugar.

CRISTINA

(sem acreditar) O quê?

SILVIA

Ficou surda? A sua Fundação já era, pegou fogo.

CRISTINA

(começa a chorar, fica desesperada) Eu tenho que ir para lá!(vai saindo)

RÉGIS

(segura Cristina) Calma! Eu vou com você. (sai com Cristina)

SILVIA

(sorri, se senta) Adoro dar notícias ruins, principalmente quando é para a Cristina.

Cena 4/Rio de Janeiro/Favela/Cativeiro de Flávio/Int./Noite.

Flávio está sentado no chão, pensativo, triste. Gilberto entra e se aproxima de Flávio.

GILBERTO

Eu vim te dar as boas novas, playboy.

FLÁVIO

(se levanta) O que aconteceu?

GILBERTO

Henrique incendiou a Fundação da Cristina.

FLÁVIO

(com vontade de chorar) Isso é mentira/

GILBERTO

(sorri) Se não acredita, amanhã te trago tudo que sair nos jornais.

FLÁVIO

(nervoso, com raiva, alterado) Isso é injusto! A minha mãe ama aquele lugar! Ela dá todo o apoio para as crianças carentes!

GILBERTO

Fica na sua, playboy! Calma aí… E eu acho que sua mãezinha vai ter quer se conformar. A Fundação virou cinzas.

Flávio dá um soco em Gilberto, que cai. Depois corre até a porta aberta e sai correndo. Gilberto se levanta.

GILBERTO

Droga! (sai correndo atrás de Flávio)

Cena 5/Rio de Janeiro/Favela/Rua/Ext./Dia.

Flávio está correndo, sem rumo. Gilberto corre atrás de Flávio. Daniela vem caminhando e vê o jovem, que para de correr e vai até a moça.

FLÁVIO

Me ajuda a sair daqui.

DANIELA

(não sabe o que fazer) Como você saiu de lá?

FLÁVIO

Depois eu falo! Agora me fala pra onde eu tenho que ir!

DANIELA

(aponta uma rua) Vai por ali. Logo você vai ver estrada.

FLÁVIO

Obrigado. (sai correndo)

GILBERTO

(correndo, para perto de Daniela) O que você falou pra ele?

DANIELA

Nada.

Gilberto corre atrás de Flávio, que segue pelo caminho indicado por Daniela. Um homem segura Flávio e o encara.

HOMEM

Está fugindo da polícia, Henrique?

FLÁVIO

Não interessa, me solta!

HOMEM

Tu não vai sair daqui enquanto não me pagar.

Gilberto se aproxima. Flávio fecha os olhos.

GILBERTO

Vaza daqui. Depois acerto as coisas com você.

HOMEM

(solta Flávio) Acho bom mesmo. (se afasta)

GILBERTO

(encosta o cano de um revólver na cintura de Flávio, o encara) Vem comigo, playboy.

FLÁVIO

Eu tenho que ajudar a minha mãe!

GILBERTO

Se você não vier comigo, vou ligar para Henrique e falar para ele matar a sua noivinha.

FLÁVIO

(com vontade de chorar) Tudo bem… Vou com você.

Gilberto empurra Flávio para ele andar logo.

Cena 6/Balada/Int./Noite.

ÁGATA

(está dançando com Parceiro) Gostei de você, Alexandre. Nunca te vi por aqui.

PARCEIRO

Eu não moro aqui. Vim ver Flávio.

ÁGATA

Vocês são amigos há muito tempo?

PARCEIRO

Sim, desde criança.

ÁGATA

(sorri) Interessante. E você faz o quê?

PARCEIRO

(pensativo) Eu era gerente de uma empresa, mas estou sem emprego e vim passar uns dias aqui.

ÁGATA

Por que te chamam de Parceiro?

PARCEIRO

(sorri, se aproxima de Ágata) Por que tantas perguntas, gata?

ÁGATA

Curiosidade feminina.

PARCEIRO

Então tira uma dúvida minha. (beija Ágata)

ÁGATA

(sorri) Qual dúvida?

PARCEIRO

Queria saber o gosto do seu beijo… Adorei. (beija Ágata)

No balcão, Henrique está bêbado.

BRUNO

(se aproxima) Está tudo bem, Flávio?

HENRIQUE

Sim. (bebe mais)

BRUNO

Eu sei que não é da minha conta, mas eu nunca te vi beber assim. Não é melhor você parar?

HENRIQUE

Você está certo, não é da sua conta.

BRUNO

A tia Cris não vai gostar de te ver assim.

HENRIQUE

(ri) Eu quero que a tia Cris se dane. (bebe mais)

TAMARA

(se aproxima) Flávio, tu já bebeu demais.

BRUNO

Acabei de falar isso pra ele.

HENRIQUE

Vocês querem me deixar em paz?

ROBERTA

(se aproxima) Eu sabia que iria encontrar vocês aqui.

HENRIQUE

(se levanta, abraça Roberta) Minha princesa!

Tamara fica com ciúmes, mas disfarça. Roberta empurra Henrique.

ROBERTA

Não me toca! Eu vi uma foto sua beijando essa garota! 

HENRIQUE

Beijei, mas olha pra mim, princesa. Eu estou superbêbado. (dá risada) Beijei a primeira que passou.

ROBERTA

(com vontade de chorare) O que está acontecendo com você, Flávio?

HENRIQUE

Quer mesmo saber? Aquele otário que você conheceu não existe mais. Esse é o novo Flávio! Que gosta de beber, se divertir e beijar muito na boca! Mesmo que a boca não seja a sua.

ROBERTA

(as lágrimas escorrem) Uma pena porque… eu amava o Flávio de antes. Queria ele de volta.

HENRIQUE

Ele não vai voltar. 

BRUNO

Roberta, ele está bêbado. É melhor vocês conversarem amanhã.

ROBERTA

(enxuga as lágrimas) Eu vou embora daqui. Você me leva?

BRUNO

Claro.

HENRIQUE

(segura Roberta) Você não vai sair com o priminho. Vai comigo que sou seu noivo. Aliás… que tal se a gente esquecer essa bobagem de pacto de virgindade, já que eu não sou mais virgem, e fizermos amor hoje?

Roberta se solta e dá um tapa no rosto de Henrique. As lágrimas escorrem pelo rosto dela. Henrique põe a mão no rosto.

HENRIQUE

Tudo bem. Você não quer? (sorri; olha nos olhos) A Tamara Julia aqui quer.

Roberta dá outro tapa no rosto de Henrique, tira a aliança e coloca em cima da mesa.

ROBERTA

Nunca mais quero falar com você! Esquece que eu existo!

Roberta sai, seguida por Bruno. Ágata se aproxima sorridente.

ÁGATA

O que foi isso?

TAMARA

Muita cachaça na cabeça.

HENRIQUE

(pensativo; a Tamara) Vamos embora daqui.

ÁGATA

Você sabe dirigir?

TAMARA

Não.

ÁGATA

Eu levo vocês. Vou chamar o Alexandre. (se afasta)

Cena 7/Fundação Cristina Werneck/Fachada/Ext./Noite.

Os bombeiros estão tentando apagar o incêndio. Régis, Cristina e Sueli estão olhando. Cristina chora inconformada.

CRISTINA

Como isso foi acontecer? E agora?

RÉGIS

(abraça Cristina) Vamos dar um jeito, Cris. Eu vou conseguir outro lugar para vocês.

CRISTINA

Vai além do lugar, meu amor. Tudo estava aí; agora não existe mais nada.

SUELI

(está triste, enxuga as lágrimas) O que aconteceu é muito triste, Cris, mas temos que pensar em um modo de não abandonarmos as crianças e os projetos.

CRISTINA

(abalada) Você sabe como eu amava esse lugar. Agora acabou. (chora, abraça Régis)

RÉGIS

Sueli está certa, meu amor. Nós vamos dar um jeito. Você vai ver.

Cristina chora. Está triste, olhando a Fundação pegar fogo.

Cena 8/Rio de Janeiro/Favela/Cativeiro de Flávio/Int./Dia Seguinte.

Flávio está com preso com uma corrente na perna, sentado no chão. Daniela entra e se aproxima.

DANIELA

Flávio, o que aconteceu pra você tentar fugir? Agora o Gilberto vai te deixar assim.

FLÁVIO

(se levanta) Daniela, por favor, avisa para a minha mãe que não sou eu que estou lá e sim Henrique. Avisa pra ela o quanto ele é perigoso.

DANIELA

Eu não posso, Flávio.

FLÁVIO

(segura as mãos de Daniela) Henrique colocou fogo na Fundação. A minha mãe sempre amou aquele lugar. Ele está se vingando e vai saber qual será o próximo passo dele. Você é a única pessoa que pode me ajudar e a minha família também. Liga para a minha mãe e conta a verdade.

DANIELA

Mas e se descobrirem que fui eu?

FLÁVIO

Pede pra ela não contar nada. Só conta que é o meu irmão gêmeo. Eu estou implorando. O Henrique pode machucar alguém que eu amo.

DANIELA

(pensativa, com medo) Tudo bem. Eu vou ligar pra sua mãe, mas bem longe daqui. Se Gilberto desconfiar, estou perdida.

FLÁVIO

(sorri, abraça Daniela) Obrigado! Você é um anjo!

DANIELA

Espero não virar um de verdade caso seja pega. Vou dar um jeito e venho te falar. (sai)

FLÁVIO

(se senta aliviado) Tomara que dê tudo certo.

Cena 9/São Paulo/Mansão dos Werneck/Sala Int.Dia.

Silvia desce as escadas. Régis entra.

SILVIA

Meu filho, onde você estava?

RÉGIS

Com a Cris. Ela está muito abalada. Esperou controlarem o incêndio da Fundação. Boa parte está perdida. Não vai dar para recuperar tão cedo.

SILVIA

Não posso dizer que lamento.

RÉGIS

Eu vim falar com Flávio.

SILVIA

Seu filho chegou de madrugada, bêbado e acompanhado de uma mulher que não é a noiva dele. Até agora não saíram do quarto.

RÉGIS

(incrédulo) Isso é verdade?

SILVIA

Claro que é. Se não acredita, é só ir até o quarto dele e ver.

Silvia sai. Régis fica desconfiado e sobe as escadas.

Cena 10/Mansão dos Werneck/Suíte de Flávio/Int./Dia.

A suíte está com a janela fechada; está escuro. Henrique está dormindo abraçado com Tamara. Ambos estão nus, apenas cobertos com o lençol. Régis entra na suíte e abre as cortinas. Tamara acorda, incomodada com a claridade; coloca a mão no rosto. Henrique continua dormindo. Régis fica nervoso e puxa o lençol que cobre Henrique e Tamara.

RÉGIS

Eu não vou admitir uma coisa dessas na minha casa!

TAMARA

(puxa o lençol para cobrir seu corpo; não sabe o que fazer, se senta, chacoalha Henrique) Acorda!

HENRIQUE

(acorda, um pouco atordoado) O que você quer, Tamara?

RÉGIS

Flávio, eu quero uma explicação!

HENRIQUE

(se senta) Não entendeu? Eu passei a noite com ela.

RÉGIS

(fica com raiva; a Tamara) Saia imediatamente da minha casa, seja lá quem você for.

TAMARA

(se enrola no lençol, se levanta) Já tô indo. Só vou me vestir. (entra no banheiro)

HENRIQUE

(se levanta, veste uma bermuda) Vai me dizer que você nunca fez isso?

RÉGIS

(dá um tapa no rosto de Henrique) Não sei o que se passa na sua cabeça, Flávio, mas, se você não respeita o compromisso que tem com Roberta, essa casa você tem que respeitar.

HENRIQUE

(raiva) Nunca mais encosta a mão em mim ou eu/

RÉGIS

(interrompendo Henrique, o encara) Vai fazer o que? Me bater? Eu sou o seu pai! Enquanto você estava na farra, sua mãe estava passando por um momento horrível. A Fundação pegou fogo.

HENRIQUE

(finge estar impactado com a notícia) Como isso aconteceu?

RÉGIS

Eu não sei! Mas Cristina quer você ao lado dela.

Tamara sai do banheiro, sem graça.

RÉGIS

(a Tamara) Não quero te ver de novo na minha casa, fui claro?

TAMARA

Foi. (olha Henrique e sai)

HENRIQUE

Eu vou tomar um banho e vou ver como está a… minha mãe.

RÉGIS

Nunca mais traga qualquer uma pra essa casa. Espero que Roberta não fique sabendo disso. Ela não merece ser ferida dessa maneira.

HENRIQUE

Roberta e eu terminamos. Depois te conto como foi. (entra no banheiro e fecha a porta)

RÉGIS

Eu não acredito nisso…

Cena 11/Fundação Cristina Werneck/Frente/Ext./Dia.

Roberta, Sueli e Cristina estão sentadas na calçada, estão tristes.

SUELI

Cris, é melhor você ir pra casa. Não há mais nada para se fazer aqui agora.

ROBERTA

É, Cris. Com o tempo nós vamos recuperar a Fundação, você vai ver.

CRISTINA

(se levanta) Verdade. Infelizmente perdemos tudo hoje, mas vamos reerguer a Fundação, e novamente as crianças vão ter um lugar para elas.

ROBERTA

(se levanta, sorri um pouco) Tudo vai dar certo.

SUELI

(se levanta) Eu te levo pra casa, Cris, mas não vou entrar, ou a Silvia me mata.

CRISTINA

Você vem comigo querida?

ROBERTA

(está chateada; disfarça) Não. Preciso passar no meu apartamento.

CRISTINA

Entendo.

O celular de Cristina toca. Cristina atende.

CRISTINA

Alô?

DANIELA

(está falando de um lugar sem movimento) Cristina, presta atenção no que eu vou te falar. Não é Flávio que está na sua casa; é Henrique, irmão gêmeo dele.

CRISTINA

(fica sem ação) Como?

DANIELA

Ninguém pode saber, principalmente Henrique. Ele é perigoso e quer se vingar de você.

CRISTINA

(se afasta de Roberta e Sueli, está nervosa com vontade de chorar) Quem é você? 

DANIELA

Eu estou cuidando de Flávio. Ele está preso, mas não posso falar onde e nem com quem. Já estou me arriscando muito em te contar que é o irmão gêmeo de Flávio.

CRISTINA

(chora) Meu filho morreu! Como você sabe que tive gêmeos?

DANIELA

Ele não morreu e está na sua casa. O nome dele é Henrique. Quem me pediu para te ligar foi o Flávio, e uma prova de que estou falando a verdade é que Henrique tem uma tatuagem nas costas para cobrir uma marca de nascença que ele sempre odiou. Não posso falar mais. Fica atenta com Henrique. Ele odeia você. E mais uma coisa: não conta isso pra ninguém. Pode ser perigoso. (desliga)

CRISTINA

(chorando, sem entender, nervosa) Não pode ser verdade… Eu tenho que ir pra casa. 

SUELI

(se aproxima) Cris, está tudo bem?

CRISTINA

(chorando, nervosa) Não. Eu tenho que ir para a casa agora. Você me leva?

SUELI

Claro. O que você tem?

CRISTINA

(nervosa) Não posso contar, Sueli. Por favor, me leva logo pra casa.

Cena 12/Grupo Werneck/Sala de Janete/Int./Dia.

Edgar está conversando com Janete.

JANETE

Então a Fundação da Cris pegou fogo… Mas que coisa.

EDGAR

Coitada, ela deve estar arrasada.

JANETE

Verdade. Quando sair daqui, vou até a casa dela. Minha irmã não merece uma coisa dessas.

EDGAR

Não mesmo. Quando você for, eu vou também.

JANETE

(pensativa) Essa noite Ágata chegou em casa de madrugada e disse que estava em uma balada com o Flávio e que Roberta e ele terminaram.

EDGAR

(preocupado) Por quê?

JANETE

Não faço ideia, mas Ágata disse que Roberta até bateu no Flávio. Aparentemente ele a traiu.

EDGAR

(se levanta) Coitada da minha filha. Vou ligar pra ela. (sai)

JANETE

(começa a dar risada) Tenho quase certeza que esse incêndio é coisa do meu sobrinho. Daria tudo pra ver a cara da Cristina. (ri mais) Bem feito! É pouco, Cristina. Você merece sofrer mais.

Cena 13/Mansão dos Werneck/Sala/Int./Dia.

Régis e Frederico estão conversando.

FREDERICO

Você precisa ser paciente com Flávio.

RÉGIS

Me descontrolei. Estou nervoso pelo que aconteceu com a Fundação. Odeio ver a Cris arrasada desse jeito.

FREDERICO

Nosso grupo tem muitos imóveis que servem para a Cristina abrir outra Fundação. Pode escolher, que eu dou pra ela.

RÉGIS

(sorri) Obrigado. Ela vai ficar muito feliz.

CRISTINA

(entra nervosa) Flávio está aqui?

RÉGIS

(se levanta) Está no quarto dele.

CRISTINA

Eu preciso conversar com nosso filho e não quero ser interrompida.

RÉGIS

Tudo bem.

Cristina sobe as escadas.

Cena 14/Mansão dos Werneck/Suíte de Flávio/Int./Dia.

Henrique está olhando pela janela, fumando, sem camisa. Cristina entra, se aproxima e vê a tatuagem de Henrique.

CRISTINA

Flávio?

HENRIQUE

(apaga o cigarro, se vira de frente para Cristina, finge estar triste) Eu soube o que aconteceu com a Fundação. Sinto muito.

CRISTINA

(com vontade de chorar) Eu também, meu querido.

HENRIQUE

Não fui te até lá porque meu pai disse que você estava vindo pra cá. (se afasta de Cristina)

CRISTINA

(repara na tatuagem de Henrique) Posso ver mais de perto a sua tatuagem?

HENRIQUE

Você já viu.

CRISTINA

Você não deixou me ver de perto.

HENRIQUE

Por que isso agora?

CRISTINA

Porque eu preciso ter alguma inspiração para reconstruir a Fundação e você tem uma fênix aí.

HENRIQUE

Pode olhar. (se vira de costas para Cristina)

Cristina se aproxima. Analisa a tatuagem, se lembra da marca de nascença de Felipe e fica com vontade de chorar. Henrique coloca uma camiseta.

HENRIQUE

Eu tenho que sair agora. (vai saindo)

CRISTINA

(as lágrimas escorrem, fecha os olhos) Henrique?

HENRIQUE

(olha Cristina) O que é? (fica sério)

CRISTINA

Você não é Flávio. (chora se aproxima de Henrique)

HENRIQUE

(com raiva e vontade de chorar) Claro que sou.

CRISTINA

Como é possível você estar vivo, meu filho? (vai abraçar Henrique)

HENRIQUE

(fecha a porta e se mantém afastado de Cristina; está com raiva) Não sei do que você está falando.

CRISTINA

Sabe sim… Você não é Flávio. Seu comportamento é a maior prova disso; mas eu nunca poderia imaginar que se tratava de outra pessoa… do Felipe. Seria impossível, já que esses anos todos eu achei que você estava morto.

HENRIQUE

(chora de raiva, segura Cristina pelos braços, a olha nos olhos) Não mente pra mim! Agora que você sabe a verdade; e nem sei como soube, mas vou descobrir; mas já que você sabe essa verdade, eu tenho uma pra você Cristina! Eu te odeio!

Cristina olha Henrique assustada.

Fim do Capítulo

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