
Falso Amor – Capítulo 015
31/10/2024
Falso Amor – Capítulo 017
31/10/2024
Cena 1/Mansão dos Werneck/Suíte de Flávio/Int./Dia.
Henrique segura Cristina pelos braços e a olha nos olhos.
HENRIQUE
Você entendeu, Cristina? Eu te odeio!
CRISTINA
(as lágrimas escorrem) Eu juro que não sei o que está acontecendo, meu filho.
HENRIQUE
(chacoalha Cristina) Não me chama de filho! Você perdeu esse direito quando me deu!
CRISTINA
Eu não fiz isso.
HENRIQUE
(solta Cristina; se afasta) Nada do que você me falar vai me convencer, Cristina. Eu sei toda a verdade.
CRISTINA
Mas que verdade? Se nem eu sei o que está acontecendo aqui… Eu tive gêmeos, sim, mas me disseram que um havia morrido. Eu vi meu filho morto.
HENRIQUE
(se aproxima de Cristina, com raiva) Eu pareço morto pra você?
CRISTINA
(as lágrimas escorrem, sorri um pouco) Não… Ao mesmo tempo que estou assustada com tudo isso, estou feliz meu filho por te ter aqui. Eu chorei anos achando que você estava morto.
HENRIQUE
(dá um tapa no rosto de Cristina) Não seja cínica! Você me deu como um cachorro! Não precisa fingir, Cristina!
CRISTINA
(chora, com a mão no rosto) Quem te disse isso?
HENRIQUE
(sorri indignado) Você sabe quem.
CRISTINA
Eu juro que não sei!
HENRIQUE
(segura Cristina pelo pescoço, a olha nos olhos) Você me deu pro Gilberto! Disse que só precisava de um filho para segurar o Régis! (empurra Cristina)
CRISTINA
(assustada) Gilberto… Ele roubou você de mim.
HENRIQUE
(nervoso) Quer saber? Eu não quero mais te ouvir! Já chega dessa conversa afiada! Só quero que você preste atenção: não conte a ninguém sobre o que descobriu, ou então o Flávio vai pagar.
CRISTINA
Onde ele está? O que fizeram com ele?
HENRIQUE
(dá risada) Você acha que eu sou burro de te contar onde está o playboy? Claro que não, Cristina!
CRISTINA
Por favor, eu preciso saber.
HENRIQUE
Mas não vai. As únicas coisas que você precisa saber são que Flávio está vivo, mas isso pode mudar se você abrir a boca e contar para alguém sobre mim, e que agora você não vai mais me tocar, abraçar, essas coisas que era obrigado a suportar.
CRISTINA
Eu não dei você. Acredita em mim.
HENRIQUE
(se aproxima de Cristina) Sei muito bem o tipo de mulher que você é… Nada do que me disser vai me convencer do contrário. (vai saindo, volta, olha Cristina nos olhos) E uma coisa… Fui eu que mandei colocar fogo na sua Fundação. (sai)
CRISTINA
(chora desesperada) O que está acontecendo?
Cena 2/Mansão dos Werneck/Sala/Int./Dia.
Henrique desce as escadas, nervoso.
RÉGIS
Meu filho, o que aconteceu?
HENRIQUE
Estou de cabeça quente pelo que aconteceu na Fundação. Preciso sair. Depois vou passar no grupo Werneck. (sai)
FREDERICO
Flávio está muito diferente.
RÉGIS
O trauma do que ele passou foi muito grande, papai. Com licença, vou ver a Cris. (sobe as escadas)
Cena 3/Grupo Werneck/Sala de Edgar/Int./Dia.
Edgar está abraçando Roberta.
EDGAR
Eu fiquei preocupado com você quando soube o que aconteceu com o Flávio.
ROBERTA
(está triste) Estou arrasada… Primeiro foi a traição do Flávio e agora esse incêndio que destruiu a fundação da Cristina.
EDGAR
Você tem certeza que o Flávio te traiu?
ROBERTA
Infelizmente sim. Eu o vi com a tal Tamara, e ele me disse coisas que me magoaram muito… Estava tão diferente, papai. Nunca o vi bêbado como estava ontem.
EDGAR
(se senta, segura a mão de Roberta) Eu tenho certeza que Flávio te ama e, se ele estava bêbado, pode ter certeza que todas as besteiras que ele fez foi em consequência da bebedeira. Não se esqueça de que ele passou por algo muito ruim e pode ter encontrado na bebida uma maneira de se esquecer o trauma.
ROBERTA
Eu não tinha pensado nisso…
EDGAR
Procure ele, Roberta. Converse com Flávio. Tente fazer com que ele se abra com você. Não desiste desse amor lindo de vocês.
ROBERTA
(sorri) Eu te amo muito, sabia?
EDGAR
(sorri) E eu te amo, minha filha. (abraça Roberta)
ÁGATA
(entra e olha Edgar e Roberta se abraçando) Desse jeito vou ficar com ciúmes. Só ela ganha abraço?
EDGAR
(sorri; abraça Ágata) Não fique com ciúmes. E amo as duas; aliás, eu amo os meus três filhos.
ROBERTA
Ágata, eu soube que está trabalhando aqui agora. Fiquei muito feliz por você.
ÁGATA
Obrigada, maninha.
ROBERTA
Eu vou seguir o seu conselho, papai, e, se você puder, vá ver a Cristina. Ela precisa de todo apoio nesse momento.
EDGAR
Vou sim, Roberta.
ROBERTA
(beija o rosto de Edgar, abraça Ágata) Até logo. (sai)
ÁGATA
Que conselho você deu à Roberta, papai?
EDGAR
Disse para ela procurar o Flávio e conversar com ele.
ÁGATA
Flávio está muito mudado, papai. Até parece outra pessoa.
Cena 4/Pensão/Quarto de Tamara/Int./Dia.
Tamara está se arrumando. Henrique invade o quarto de Tamara, a encosta na parede e a encara.
HENRIQUE
Por que você abriu o bico para a Cristina?
TAMARA
(assustada) Ficou doido? Do que tu tá falando?
HENRIQUE
(aperta o pescoço de Tamara) Não se faça de idiota! A Cristina já sabe que eu não sou o Flávio!
TAMARA
Juro que não abri a boca. Nem vi essa Cristina ainda.
HENRIQUE
(solta Tamara) Eu vou perguntar pra ela se foi você que contou toda a verdade.
TAMARA
(com a mão no pescoço) Pode perguntar, Henrique. Eu não contei nada.
HENRIQUE
(pensativo) Se não foi você, quem foi? O Gilberto não contaria nada sem antes falar comigo…
TAMARA
A Daniela também sabe do seu clone. E é ela quem cuida dele.
HENRIQUE
Não tinha pensado nisso. Vou falar com Gilberto agora mesmo. (o celular toca, atende) Alô?
ROBERTA
Flávio?
HENRIQUE
Princesa, achei que você nunca mais iria querer falar comigo.
Tamara observa e fica com ciúmes.
ROBERTA
Nós precisamos conversar. Você pode se encontrar comigo no meu apartamento?
HENRIQUE
Claro, daqui a pouco chego aí. Até logo. (desliga o celular)
TAMARA
Essa lambisgoia não faz o seu tipo.
HENRIQUE
(sorri) Meu tipo é mulher bonita, e Roberta é mais que bonita: é inteligente, educada, sincera.
TAMARA
Tu está gostando dela?
HENRIQUE
Claro que não, mas eu sei ver as qualidades de uma pessoa. (vai saindo)
TAMARA
Ela ama o Flávio, não esquece disso.
HENRIQUE
Não sei fingir ser aquele idiota. Se Roberta se acostumar com o novo Flávio, é de mim que ela irá gostar. (sai)
TAMARA
(fica com raiva) Preciso fazer alguma coisa! Henrique não vale nada, mas é meu!
Cena 5/Mansão dos Werneck/Suíte de Cristina/Int./Dia.
Cristina está sentada na cama, pensativa, triste. Régis entra. Cristina se levanta e chora abraçada a Régis, que a consola.
RÉGIS
Nós vamos recuperar a fundação, Cris. Não fica assim.
CRISTINA
(chorando muito) Eu tenho que te contar, Régis. Não vou aguentar passar por isso sozinha.
RÉGIS
(enxuga as lágrimas de Cristina) Contar o quê, meu amor?
CRISTINA
Não é Flávio que está aqui conosco. É Felipe.
RÉGIS
Cris, você está passando por um momento difícil, e também sei que nosso filho está diferente, mas/
CRISTINA
Eu não estou louca, Régis. Alguém me ligou e disse que Flávio continua preso e que esse rapaz se chama Henrique. Eu o chamei assim, e ele olhou… Ele tem uma tatuagem nas costas exatamente onde nosso filho tinha uma marca de nascença. (chora) Ele me odeia, acha que eu o abandonei.
RÉGIS
Isso tudo é absurdo, Cristina.
CRISTINA
Mas é a verdade. Ee disse que Gilberto o criou, o que ajuda a fazer um pouco de sentido.
RÉGIS
Não tem sentido nenhum, Cris. Como nosso filho, que morreu horas depois de nascer, aparece aqui no lugar de Flávio?
CRISTINA
(chora) Não faço ideia. (se senta)
RÉGIS
(se senta ao lado de Cristina, a abraça, pensativo) Calma… Estou aqui do seu lado. Jntos vamos desvendar essa história, meu amor.
CRISTINA
Nosso filho está vivo, Régis. Alguém o tirou de nós, e ele me odeia. E Flávio está preso sabe-se lá onde. (chora) Eu quero que tudo se resolva e que nossa família possa ficar completa.
RÉGIS
Eu vou falar com ele.
CRISTINA
Não, ele disse para eu não contar a ninguém.
RÉGIS
Não se preocupe, vou ser discreto.
Cena 6/Rio de Janeiro/Favela/Cativeiro de Flávio/Int./Dia.
Flávio não está mais acorrentado. Está sentado em uma cadeira, e Daniela está sentada em outra cadeira de frente para Flávio.
FLÁVIO
O que será que aconteceu? Como estão as coisas na minha casa?
DANIELA
Sua mãe ouviu toda a história que contei pra ela. Agora ela já sabe que é o traste do Henrique que está lá e não você.
GILBERTO
(entra, está com raiva, pega Daniela pelo braço, a levanta da cadeira) Você abriu o bico para a Cristina, não foi?
DANIELA
(assustada) Não sei do que você está falando, Gilberto.
GILBERTO
(chacoalha Daniela) Não se faça de desentendida! Henrique me ligou e disse que Cristina já sabe a verdade! Só pode ter sido você que contou!
FLÁVIO
(se levanta) Fui eu que liguei pra minha mãe.
GILBERTO
Não se mete, playboy. Você não tem como fazer nada. Não adianta tentar poupar Daniela!
FLÁVIO
Eu peguei um celular quando saídaqui, liguei para a minha mãe e contei a verdade pra ela que a pessoa que está em casa não sou eu e sim Henrique.
GILBERTO
(solta Daniela, se aproxima de Flávio) Você vai pagar caro por isso.
Gilberto dá um soco em Flávio, que cai no chão. Daniela fica assustada e com vontade de chorar.
DANIELA
Gilberto, não faz nada pra ele. Tenta entender/
GILBERTO
Cai fora daqui, Daniela. (levanta Flávio; encara-o) Agora você vai se arrepender. (dá outro soco em Flávio, o joga no chão, o chuta)
DANIELA
(se aproxima de Gilberto, chora) Por favor, calma!
Gilberto pega Daniela pelo braço, a leva para fora, fecha a porta. Flávio tenta se levantar. Está machucado e coloca a mão na costela. Gilberto vai até a cozinha. Pega água gelada, coloca a jarra em cima da mesa e olha Flávio com raiva.
GILBERTO
Não estou brincando, Flávio! (tira a camiseta de Flávio; joga a água gelada em Flávio; dá um chute nele; pega o lençol que está no chão; empurra Flávio para o canto da parede, pega a corrente amarra no tornozelo de Flávio e o encara) Você vai ficar aqui sem comer! (sai levando o lençol)
FLÁVIO
(tremendo de frio e de dor, se encolhe no canto da parede; fecha os olhos) Eu tenho que aguentar…
Cena 7/Apartamento de Roberta/Sala/Int./Dia.
Henrique entra.
ROBERTA
Obrigada por vir.
HENRIQUE
(se senta) Você tem alguma coisa pra beber? Sei que nossa conversa vai ser longa.
ROBERTA
Tenho vinho.
HENRIQUE
Ótimo, princesa. Pode me trazer.
ROBERTA
Flávio, o que está acontecendo com você? Fala pra mim. Da última vez que te ofereci vinho, você disse que não é seu costume beber, e ontem te encontrei caindo de tão bêbado que estava.
HENRIQUE
Eu passei por momentos difíceis que mexeram com a minha cabeça, Roberta. Às vezes nem eu me reconheço.
ROBERTA
(se senta ao lado de Henrique) E aquela garota? Você conhece faz tempo?
HENRIQUE
Não. Ela fazia aula de música comigo e a encontrei na boate por acaso. Daí comecei a beber e, quando vi, já estava ficando com ela.
ROBERTA
(fica triste, abaixa a cabeça) Sabe, Flávio? Eu nunca tive por perto alguém da família porque nem sei quem eles são. (olha Henrique) Eu tenho o Edgar, que sempre cuidou de mim desde que era pequena, e sua mãe. Devo muita coisa a ela. Mas com você, meu amor, tudo é diferente. (segura as mãos de Henrique, que presta atenção) Me sinto tão amada por você, segura. Eu sou feliz ao seu lado e te amo muito. Não quero te perder. (as lágrimas escorrem) Então, se eu puder te ajudar em qualquer coisa, é só me falar, meu amor. Estou aqui com você. (Henrique abraça Roberta e fecha os olhos) Você quer me falar alguma coisa?
HENRIQUE
(abraçado com Roberta) Eu só fiquei com aquela mulher porque estava bêbado. (olha Roberta) Pode parecer loucura, mas o que sinto quando estou com você nunca senti na minha vida.
ROBERTA
(sorri um pouco) E o que você sente, Flávio?
HENRIQUE
Paz… Ternura… Vontade de ficar ao seu lado e não sair mais.
ROBERTA
Você não me ama como antes, não é?
HENRIQUE
Eu nunca soube o que era amar, Roberta, até te conhecer.
ROBERTA
(sorri, acaricia o rosto de Henrique) Me deixa te ajudar?
HENRIQUE
Deixo, e eu quero te pedir desculpas pela maneira que falei com você na boate.
ROBERTA
(abraça Henrique) Eu entendo você. Te desculpo, meu amor. Eu estava pensando e não quero perder você. Se quiser, podemos ficar juntos, fazer amor.
HENRIQUE
(beija Roberta) Nem eu estou acreditando no que vou te falar, princesa, mas eu vou respeitar o seu desejo, o seu sonho. Você não vai me perder por isso, ao contrário… Me dá mais vontade de ficar ao seu lado.
ROBERTA
(feliz, beija Henrique) Eu te amo.
HENRIQUE
(abraça Roberta, fecha os olhos) Também.
Cena 8/Mansão dos Werneck/Sala/Int./Dia.
Janete entra. Régis desce as escadas.
JANETE
Eu vim falar com a Cris.
RÉGIS
Está no quarto. Ainda bem que você chegou. Não queria deixar ela sozinha.
JANETE
Coitadinha. Ela deve estar muito mal pelo que aconteceu.
RÉGIS
Está. Aora eu vou até o grupo Werneck, mas não demoro. (sai)
JANETE
(sorri) Não vejo a hora de ver a cara de sofrimento da minha irmã. (sobe as escadas)
Cena 9/Mansão dos Werneck/Suíte de Cristina/Int./Dia.
Cristina está sentada na cama, pensativa. Janete entra.
JANETE
Cris, assim que eu soube do que aconteceu com a fundação, vim te ver. (abraça Cristina) Como você está?
CRISTINA
Destruída. Só queria que esse pesadelo acabasse.
JANETE
(segura a mão de Cristina) Não fica assim. Você vai ver. Logo o Régis vai arrumar um outro lugar para a sua fundação.
CRISTINA
Além de Régis, você é a pessoa que mais confio, Janete. Vou te contar um segredo, mas ninguém pode saber.
JANETE
Claro. Pode contar, Cris.
CRISTINA
Não faço ideia de como isso aconteceu, mas quem está aqui em casa não é o Flávio, e sim Felipe.
JANETE
(se assusta ao ver que Cristina sabe a verdade, disfarça, fica séria) Isso não é possível, Cris. Nós vimos o seu filho morto, nós o enterramos.
CRISTINA
Pois é, mas ele está vivo e me odeia. (chora) Ele acha que eu o dei para Gilberto.
JANETE
Seu ex-namorado?
CRISTINA
Sim. Ele roubou meu filho de alguma maneira do hospital. Régis vai procurar o médico que me atendeu. Nós vamos investigar.
JANETE
(se levanta) Cris, você tem certeza que não é Flávio que está aqui?
CRISTINA
Claro que tenho. Depois ele mesmo me confessou. Até me agrediu. (chora)
JANETE
(se aproxima de Cristina, segura a mão dela) Não fica assim. Vmos resolver tudo isso, e nossa família estará completa e feliz. (sorri, beija a testa de Cristina) Eu já volto. Tenho que avisar ao Bruno que vou ficar aqui com você. (sai)
Cena 10/Rua/Ext./Dia.
Janete está nervosa, com raiva. Pega o celular e liga para Gilberto.
JANETE
Gilberto, a Cristina já descobriu a verdade!
GILBERTO
Eu sei, o Flávio ligou pra ela.
JANETE
(alterada) Você não serve nem para manter esse insuportável preso! Agora eu estou correndo risco de ser descoberta! Cristina e Régis vão procurar o médico que nós pagamos.
GILBERTO
Eu não paguei ninguém, você que pagou. Eu só trouxe o Henrique pra cá.
JANETE
(séria) Presta atenção, Gilberto. Você vai se virar e encontrar esse médico antes do Régis; e, quando encontrar, quero que você o mate!
GILBERTO
Isso vai dar trabalho, portanto vai te custar caro.
JANETE
Eu pago! Isso não é problema. Agora se vira! E não toca no meu nome! (desliga o celular, nervosa)
Cena 11/Grupo Werneck/Sala de Régis/Int./Mais Tarde.
Régis está arrumando uma pasta com documentos. Ágata entra e fecha a porta.
RÉGIS
Você ainda está aqui, Ágata? Achei que tinha ido embora com seu pai.
ÁGATA
Eu precisei fazer uma correção no comercial da loja nova. Estava de saída quando te vi.
RÉGIS
Eu também estou de saída.
ÁGATA
Por que está tão agitado?
RÉGIS
Problemas que não acabam mais, Ágata, é isso.
Ágata se aproxima de Régis e o beija. Régis a afasta.
RÉGIS
Para com isso!
ÁGATA
Só quis te ajudar. É bom beijar; alivia o estresse.
RÉGIS
Você não faz ideia das coisas que eu estou passando. (fica com vontade de chorar, se contém) Então para de me atormentar.
ÁGATA
(acaricia o rosto de Régis) Estou aqui para te ajudar. Eu desejo você e não escondo isso.
RÉGIS
Mas eu não estou a fim de sexo casual! Ainda mais com a sobrinha da minha mulher.
ÁGATA
Então não faça sexo casual, faça o que desejar. (sorri)
RÉGIS
Você tem um sorriso lindo.
ÁGATA
Obrigada. (sorri)
RÉGIS
Não vou negar que, quando você chega perto de mim, sinto coisas que não deveria sentir. Você me atrai muito. Mas não posso trair Cristina assim. Ela não merece.
ÁGATA
(pega um pedaço de papel, escreve um endereço, entrega a Régis) Hoje à noite, vou estar nesse restaurante. Vou te esperar lá para jantar comigo às oito. Não demora muito, ou vou ter que te buscar na sua casa. (sorri, sai)
Régis olha o endereço, pensativo.
Cena 12/Rio de Janeiro/Favela/Cativeiro de Flávio/Int./Tarde.
Flávio está tremendo encolhido no canto da parede. Daniela entra e se aproxima dele
DANIELA
Você está bem?
FLÁVIO
(tremendo) Não, estou com muito frio. (tosse)
DANIELA
(coloca a mão na testa de Flávio para ver a temperatura dele) Você está queimando de febre. Vou buscar um remédio pra você. Já volto. (sai apressada)
Cena 13/Mansão dos Werneck/Sala/Int./Tarde.
HENRIQUE
(entra, tosse, se senta no sofá) Nossa, eu estava tão bem. Que mal estar! (Cristina desce as escadas e vai até ele; Henrique sério) O que foi? Vai ficar me encarando?
CRISTINA
Não. Eu só queria conversar com você.
HENRIQUE
Poxa! Que coisa, não é? Mas eu não quero falar com você, Cristina. (tosse)
CRISTINA
Você está bem?
HENRIQUE
(sorri) E te importa se estou bem ou não?
CRISTINA
(se aproxima de Henrique) Importa, sim. Deixa eu ver se você está com febre. (faz que vai ver a temperatura de Henrique)
HENRIQUE
(segura o braço de Cristina com força e raiva) Não toca em mim! Eu nunca precisei de você e não é agora que vou precisar!
Cristina fica com vontade de chorar, assustada.
Fim do Capítulo