
Falso Amor – Capítulo 019
31/10/2024
Falso Amor – Capítulo 021
31/10/2024
Cena 1/Apartamento de Edgar/Sala/Int./Dia.
Ágata entra, trazendo algumas malas. Edgar a ajuda.
ÁGATA
Obrigada por me deixar ficar aqui, papai.
EDGAR
Não precisa agradecer, Ágata. Você é minha filha. Essa casa é sua também, mas me fala o que aconteceu. Por que a Janete te expulsou?
Ágata se senta no sofá.
ÁGATA
Não sei muito bem. Ela teve uma crise de nervos, nós discutimos e ela me mandou embora.
EDGAR
Janete sempre foi assim, por isso nosso casamento não deu certo.
ÁGATA
Sempre me perguntei por que vocês se casaram.
EDGAR
Conheci sua mãe através da Cris. Começamos a sair, ela engravidou de você, e a pedi em casamento. Não posso falar que foi a pior coisa que fiz na vida porque, disse, nasceram você e seu irmão, que são tudo pra mim, assim como Roberta.
ÁGATA
Papai, você é apaixonado pela tia Cris desde quando?
EDGAR
Não quero falar sobre isso, Ágata. Pode colocar suas coisas no quarto de hóspedes.
Ágata se levanta e se aproxima de Edgar.
ÁGATA
Quando a tia Cris perceber que Régis não a merece, você terá sua chance, papai.
EDGAR
Do que está falando?
ÁGATA
Logo você vai saber.
Ágata beija o rosto de Edgar, pega as malas e leva para o quarto. Edgar fica pensativo.
Cena 2/Mansão dos Werneck/Sala/Int./Dia.
Régis e Cristina entram. Silvia desce as escadas chorando, desesperada. Régis se aproxima de Silvia.
RÉGIS
(preocupado) O que aconteceu, mamãe?
SILVIA
(chorando) Seu pai passou mal e está desacordado, Régis!
RÉGIS
(aflito) Eu vou lá ver meu pai. Chama uma ambulância!
Régis sobe as escadas correndo. Cristina se aproxima de Silvia e coloca a mão no ombro dela.
CRISTINA
(preocupada) Fica calma, Silvia. Não deve ser nada demais.
Silvia encara Cristina, tira a mão dela de seu ombro e a olha com desprezo.
SILVIA
Não toque em mim, Cristina. Não preciso do seu consolo e nem de nada que venha de você.
Silvia sobe as escadas. Cristina fica sem graça. Henrique entra.
CRISTINA
Que bom que você saiu do hospital! Como está se sentindo?
HENRIQUE
Não te interessa.
Régis desce as escadas abalado e inconformado. Cristina se aproxima.
CRISTINA
O que aconteceu, meu amor?
RÉGIS
(chorando) Meu pai morreu, Cris. Morreu.
Cristina fica triste e abraça Régis, que chora inconsolável. Henrique observa friamente.
Cena 3/Grupo Werneck/Escritório de Miguel/Int./Dia.
Miguel e Janete estão sentados.
MIGUEL
Régis e Frederico já deveriam ter chegado. Não vou esperar por eles o dia todo.
JANETE
Régis nunca se atrasa. Tenho quase certeza que minha irmãzinha amada é a culpada por esse atraso. Se ela machucar a unha do dedinho do pé, Régis é capaz de levar ela para o pronto -socorro. Nunca vi coisa mais ridícula.
MIGUEL
(sorri sarcástico) Você deveria ficar feliz, afinal meu sobrinho ama sua irmã. É por isso que ele cuida dela.
JANETE
(séria) Não me provoca. Já basta o que a Ágata aprontou.
MIGUEL
Sua filha pode ser útil aqui e para mim também. Eu vi o trabalho que ela está realizando para nós, e está perfeito. Ágata é excelente, e a campanha pra nossa marca está ótima.
JANETE
Então ela não vai ser despedida?
MIGUEL
Não. Por mais que Régis possa me pedir, não irei demitir a Ágata. A partir de agora, eu mando aqui e tenho todos os direitos que Frederico tem.
JANETE
Você realmente está disposto a começar uma guerra, Miguel.
MIGUEL
Eu só quero o que é meu. Nunca coloquei outro em meu lugar e nem disse que não voltaria mais; e se para ter meu lugar, eu tiver que brigar com alguém, estou pronto pra isso.
Glauco entra chateado.
JANETE
Até que enfim, Glauco! V nunca se atrasou para uma reunião.
GLAUCO
Não vai ter mais reunião/
MIGUEL
Que palhaçada é essa? Por que não?
GLAUCO
Cristina ligou agora há pouco e disse que… Frederico morreu.
Janete se assusta com a notícia. Miguel não se abala.
MIGUEL
(sério) O que aconteceu?
GLAUCO
Ainda não sabem, mas tudo indica que ele teve um infarto.
JANETE
(abalada) Que horrível isso! Régis deve estar sofrendo muito. Eu vou até lá.
Janete se levanta.
GLAUCO
Régis pediu para liberar todo mundo agora.
Miguel pega um cigarro, acende e fuma.
MIGUEL
Nada disso! Ninguém vai sair daqui até dar o horário de saída. Até lá não digam a ninguém sobre a morte de Frederico. O dia segue normal.
JANETE
Isso é sério?
MIGUEL
Claro que sim. Não estou de luto. Pra mim Frederico já foi tarde, e não quero ver um clima de enterro aqui. Quero todos trabalhando como sempre.
GLAUCO
Régis não vai gostar nada disso.
MIGUEL
Eu quero que ele se dane. Entendam eu mando aqui. Eu sou o dono do grupo Werneck, e ninguém vai sair daqui mais cedo.
Glauco gosta da atitude de Miguel e sorri.
GLAUCO
Tudo bem, não vou falar nada a ninguém. Com licença. Tenho que checar uma remessa dos novos modelos.
Glauco sai. Janete encara Miguel.
JANETE
Se eu não sentisse o mesmo ódio pela minha irmã, te diria que você tem uma pedra no lugar do coração. Isso de não poder sair vale pra mim também?
MIGUEL
Se você quer ir consolar Régis, te adianto que vai ser dispensável porque ele tem o ombro da Cristina para chorar. (sorri).
JANETE
Você está começando a me irritar, sabia?
Miguel se levanta, se aproxima de Janete, a segura pela cintura e a olha nos olhos.
MIGUEL
Saber da morte de Frederico me deu tesão… Fica aqui comigo.
Janete gosta da atitude de Miguel.
JANETE
(sorri) Você não vale nada mesmo.
MIGUEL
E você também não.
Miguel e Janete se beijam com desejo.
Cena 4/Mansão dos Werneck/Sala/Int./Dia.
Cristina está sentada ao lado de Régis, consolando-o. Silvia está sentada na poltrona e se mostra abalada. Henrique desce as escadas, vai saindo, e Régis o olha.
RÉGIS
Aonde você vai, Flávio?
HENRIQUE
Dar uma volta.
Régis se levanta, olha inconformado para Henrique.
RÉGIS
(nervoso) Seu avô está morto! Não tem que dar volta nenhuma e sim ficar com a sua família!
Cristina fica preocupada, se levanta, coloca a mão no ombro de Régis, Silvia observa, Henrique se aproxima de Régis o encara.
HENRIQUE
Essa nunca foi a minha família, Régis. A morte desse cara não me afeta em nada.
Régis dá um tapa no rosto de Henrique. Cristina se coloca na frente, nervosa. Henrique olha Régis com raiva.
CRISTINA
Régis, fica calmo, por favor.
RÉGIS
(nervoso) Ele deveria ter pelo menos respeito, Cristina! Flávio amava meu pai! Nunca teria uma atitude fria dessa!
HENRIQUE
(raiva) Acontece que eu não sou aquele otário! E você nunca mais encosta em mim não faz ideia do que sou capaz.
Silvia se levanta.
SILVIA
Como assim você não é Flávio?
HENRIQUE
Eles vão te contar.
Henrique sai. Régis se senta e chora. Cristina se senta ao lado dele e está aflita.
CRISTINA
Meu amor, temos que ter paciência. Não vamos falar disso agora.
SILVIA
Vão sim! Eu quero saber o que está acontecendo. Eu ouvi muito bem quando ele disse que não é Flávio, que essa nunca foi a família dele.
Régis se levanta e enxuga as lágrimas, nervoso.
RÉGIS
Agora não é o momento, mamãe. Tenho que cuidar do enterro do papai.
Régis entra no escritório. Cristina se levanta vai saindo, mas Silvia segura o braço dela.
SILVIA
Você fica, sua sonsa! E vai me contar tudo que está acontecendo na minha casa!
Cristina, pensativa, olha Silvia.
Cena 5/Rua/Ext./Dia.
Henrique está parado. Pega o celular e liga para Gilberto.
HENRIQUE
Gilberto, eu quero falar com o playboy, mas tem que ser agora.
Henrique espera um pouco. Flávio atende.
HENRIQUE
Babaca, seu avô bateu as botas! Acho que foi infarto.
FLÁVIO
(off) Quando foi isso?
HENRIQUE
Hoje, agora há pouco. Agora vou desligar porque já fiz a minha boa ação do dia.
Henrique desliga o celular, dá risada.
Cena 6/Rio de Janeiro/Favela/Cativeiro de Flávio/Int./Dia.
Flávio está em pé segurando o celular. Está triste, ª As lágrimas escorrem. Gilberto pega o celular da mão de Flávio.
GILBERTO
O que ele queria com você?
FLÁVIO
(triste) Meu avô… morreu.
GILBERTO
Achei que fosse alguma coisa importante.
Gilberto sai. Flávio se senta chora. Daniela entra se aproxima de Flávio e fica preocupada.
DANIELA
O que aconteceu?
Flávio, chorando muito, abraça Daniela.
FLÁVIO
(chorando) Não aguento mais isso, Daniela… Eu quero estar com a minha família, com as pessoas que eu amo. Não posso nem me despedir do meu avô.
DANIELA
Calma! Eu juro que, se pudesse, eu faria alguma coisa pra te ajudar.
FLÁVIO
Eu sei. E te agradeço, porque, se não fosse por você, meus dias aqui estariam sendo piores.
DANIELA
Não precisa agradecer, Flávio. Eu faço porque gosto de você.
FLÁVIO
Eu também gosto de você, Dani. Você é uma amiga que quero sempre por perto.
Daniela se afasta de Flávio, pensativa e olha pra ele.
DANIELA
Não gosto de você só como amigo. Sei que você é noivo, mas eu… eu estou apaixonada por você.
Daniela sai. Flávio fecha os olhos, chateado.
Cena 7/Rua/Ext./Dia.
Ágata está caminhando pensativa. Parceiro (Alexandre) se aproxima.
PARCEIRO
Oi.
ÁGATA
(sorri) Oi! Tudo bem?
PARCEIRO
Melhor agora, gata. Tava indo te procurar. Queria saber se você quer sair comigo de novo.
ÁGATA
Até que não é má ideia. Preciso me divertir, beber e pensar muito bem no que vou fazer.
PARCEIRO
(sorri) Se precisar de qualquer tipo de ajuda, só me chamar. Faço qualquer coisa por você, gata.
Ágata olha Parceiro, sorri e morde o lábio com desejo.
ÁGATA
Gostei disso e vou cobrar.
PARCEIRO
A hora que quiser, delícia.
ÁGATA
(dá risada) Gosto do seu jeito, sabia? Quer vir almoçar comigo? Assim podemos conversar mais.
O celular de Alexandre toca. Ele pega o aparelho, vê que é Henrique ligando e atende.
PARCEIRO
Pode falar. (tempo) Já to indo.
Alexandre desliga o celular e fala com Ágata.
PARCEIRO
Gata, o almoço vai ter que ficar para outro dia, mas hoje à noite te encontro.
ÁGATA
Deve ser alguém muito importante para você sair correndo assim.
PARCEIRO
É meu patrão, gata, e ele odeia esperar.
Cena 8/Apartamento de Sueli/Sala/Int./Mais Tarde.
A campainha toca, . Sueli abre a porta. Silvia entra e encara Sueli.
SUELI
O que você quer aqui, Silvia?
SILVIA
(altiva) Eu vim te dar uma notícia.
SUELI
(esperançosa) Sobre meu filho?
SILVIA
Não, sobre Frederico.
SUELI
Então você perdeu seu tempo. Ele não me interessa em nada.
SILVIA
Frederico está morto.
SUELI
(incrédula) Como?
SILVIA
Frederico está morto. Saí do velório pra vir te dar a notícia. (Sueli chora) Nem pense em ir até o velório, entendeu? Eu vim te contar porque pra mim nesse momento nada mais me alegraria do que ver você assim, chorando pela perda do seu amante. E mais uma coisa: o bastardo não entra na minha família caso você o encontre.
Silvia sai. Sueli bate a porta com raiva e chora.
SUELI
Que ódio dessa mulher! Coitado do Frederico! (chora).
Cena 9/Mansão dos Werneck/Sala/Int./Dia.
Miguel está sentado no sofá tomando champanhe. Henrique entra.
MIGUEL
Você não deveria estar chorando a morte do vovô?
HENRIQUE
Eu vou me arrumar e ir para o velório. E você, Miguel? Não vai?
MIGUEL
Não, eu não me dava bem com Frederico, e todo mundo sabe.
HENRIQUE
Agora que ele morreu, você está se achando forte, não é? chegou se impondo, falando que manda e desmanda. Mas não é bem assim.
MIGUEL
(sorri) Posso saber por quê?
HENRIQUE
Porque eu estou aqui e não vou deixar qualquer imbecil pegar o que é meu.
Henrique sobe as escadas. Miguel fica com raiva.
MIGUEL
Se é guerra que você quer, fedelho, é guerra que você terá. Vai ser bom, assim a minha vitória será mais saborosa.
Cena 10/Cemitério/Ext./Dia.
Janete e Cristina estão a caminho da saída.
CRISTINA
Eu não queria deixar Régis, mas ele insistiu para que eu comesse alguma coisa.
JANETE
Ele está arrasado, coitado. Perder o pai dessa maneira tão repentina…
CRISTINA
Estamos passando por coisas tão difíceis, Janete. Juro que não sei por que tudo está ruindo dessa forma.
Janete para de andar, segura levemente o braço de Cristina, a olha nos olhos e se mostra sem jeito.
JANETE
Eu sei, Cris, e você sabe que sempre pode contar comigo porque te amo. E é em nome desse amor, que me sinto na obrigação de te contar uma coisa que envolve a minha filha.
CRISTINA
Eu já sei, Janete. Não se preocupe com isso. Régis me contou.
JANETE
Não, Cris, ele não te contou tudo. O que aconteceu hoje foi um jeito que Régis encontrou de se livrar das coisas que estava fazendo.
CRISTINA
Do que você está falando?
JANETE
Cris, seu marido estava assediando a minha filha.
Cristina, com vontade de chorar, olha Janete.
Fim do Capítulo