Cena 1/Mansão Bittencourt/Suíte de Gael/Dia.
Audrey se senta de frente para Gael.
GAEL
Você deveria ter ficado na Alemanha e esquecido Franco.
AUDREY
Como poderia esquecer esse maldito se todos os dias tenho pesadelo com ele tentando me matar? Todos os dias olho no espelho e vejo meu rosto paralisado graças a ele!… Se não fosse Marcos me socorrer eu estaria morta, não dá para esquecer essas coisas Gael.
GAEL
Como você soube do casamento do Franco?
AUDREY
Marcos me contou, depois de tudo que passei nas mãos dele, não poderia deixar ele se casar com outra.
GAEL
Você falou com Franco antes de matar ele?
Audrey se levanta, anda mancando, olha Gael.
AUDREY
Falei o suficiente para ele saber o motivo que iria morrer, vou te contar como foi.
Cena 2/Int./Dia da Morte de Franco/Buffet onde seria o casamento de Franco e Sandra /Camarim/Dia.
Franco está se arrumando, coloca uma camisa branca, Audrey entra, Franco não percebe.
AUDREY
Franco.
Franco olha para trás se admira ao ver Audrey.
FRANCO
Você? É impossível você estar aqui!
AUDREY
Achou que seria fácil se livrar de mim seu maldito?
FRANCO
Quantas vidas você tem? É muito coragem sua me procurar, eu vou mandar você para o inferno, não sei como você sobreviveu ao veneno, mas não vou errar dá próxima vez, agora some daqui! Olha pra sua cara do jeito que está é deprimente.
AUDREY
Acha mesmo que vai se casar com a Sandra? Não Franco!
Audreycoloca a mão no ombro de Franco, dá uma facada na barriga de Franco que se assusta, se segura em Audrey, que fala no ouvido de Franco.
AUDREY
Isso é por todas as vezes que você me humilhou.
Audrey dá outra facada na barriga de Franco, que cai de joelhos.
AUDREY
Isso é por todas as vezes que me usou, desprezou meus sentimentos… E isso é por ter tentado me matar, você vai chegar ao inferno antes de mim seu maldito!
Audrey dá uma facada no coração de Franco, que cai sem vida no chão.
Cena 3/Int./Mansão Bittencourt/Suíte de Gael/Dia.
AUDREY
Não me arrependo do que fiz Gael, Franco mereceu.
GAEL
Se a policia descobrir você vai passar um bom tempo na cadeia, por ter matado Franco e por fingir que morreu.
AUDREY
Eu estou morta Gael… Franco me matou naquele dia, sou outra pessoa, não tenho medo de ser presa porque vou estar bem longe daqui, na Alemanha uso outra identidade, Marcos me ajudou em tudo.
GAEL
Mesmo você ter matado o meu irmão te desejo sorte Audrey.
AUDREY
Eu vou embora Gael, mas quero que você entregue uma carta á polícia, nela eu toda a história de como e porque matei o Franco, não vou deixar ninguém pagar por algo que eu fiz.
Audrey entrega a carta para Gael.
GAEL
Eu vou entregar a sua carta Audrey… Adeus.
AUDREY
Gosto de você Gael e desejo que fique bem.
GAEL
Nunca mais vou estar bem Audrey, tenho vontade de morrer todos os dias.
Cena 4/Int./ Mais Tarde – Casa de Laura/Sala/Dia.
Laura e Antônio estão deitados abraçados no sofá.
ANTÔNIO
As coisas estão voltando a ser como eram na minha casa, Sandra está feliz, é bom ver ela assim de novo.
LAURA
Eu sei como é meu amor, depois que Otávio conheceu a Júlia ele virou outra pessoa, essa moça só faz bem para o meu filho, agora só falta Guilherme se recuperar para a felicidade ficar completa.
ANTÔNIO
(sorri) Guilherme me deixou ajudar ele a se deitar ontem, com jeito estou conseguindo me acertar com ele.
LAURA
Que coisa boa meu amor! Você não sabe como isso me deixa feliz.
ANTÔNIO
Será que algum dia Guilherme vai me chamar de pai?
LAURA
Francamente eu não sei, mas eu desejo que sim porque você merece meu amor.
ANTÔNIO
E outra coisa que não vejo a hora é que você me chame sabe do que? De marido.
Laura sorri, olha Antônio.
LAURA
Ainda não somos casados, mas se quiser eu já te chamo assim.
Laura beija Antônio, Guilherme se aproxima com a cadeira de rodas.
GUILHERME
Vocês não cansam? Estão piores do que a Jéssica atrás de mim para saber se estou bem a cada cinco minutos.
Laura e Antônio se sentam, Laura sorri.
LAURA
Guilherme nós ficamos tempo demais longe um do outro, agora que temos a oportunidade de ficarmos juntos estamos aproveitando.
GUILHERME
Estou percebendo, mas eu vim aqui pedir um favor para o Antônio, quero saber se você pode me levar até a minha casa, a Tainá quer falar comigo e com o Otávio.
ANTÔNIO
Claro eu levo sim.
Ligia entra, está com seu filho no colo.
LIGIA
Oi gente, vocês já souberam que foi a Audrey quem matou meu avô?
Todos ficam surpresos.
GUILHERME
Como assim a Audrey? Ela morreu Ligia.
LIGIA
Não morreu papai e você não sabe a pior parte, a Audrey nunca tentou se matar foi o vovô que tentou matar ela.
Guilherme fica impressionado.
LAURA
Do Franco se poderia esperar qualquer coisa.
GUILHERME
Conta essa história direito Ligia.
Cena 5/Int./Restaurante/Dia.
Sandra e Thiago estão sentados em uma das mesas.
THIAGO
Sandra eu te chamei aqui porque tenho uma coisa para te falar.
SANDRA
Espero que não seja nada grave meu amor, já chega de tanto sofrimento.
THIAGO
Eu te amo muito, e só a ideia de te perder para outro me deixou arrasado, quero passar a vida ao seu lado Sandra.
Thiago pega uma caixinha do bolso, abre, tem um anel dentro.
THIAGO
Sandra você quer se casar comigo?
Sandra sorri feliz e emocionada.
SANDRA
É claro que quero meu amor.
Thiago sorri feliz, coloca o anel no dedo de Sandra. Thiago e Sandra se beijam.
Cena 6/Int./Mansão Bittencourt/Sala/Dia.
Tainá, Luiz e Otávio estão sentados.
LUIZ
Tainá eu me sinto desconfortável sentado aqui com vocês.
TAINÁ
Para com isso Luiz, você é meu namorado e o que eu vou falar também envolve você.
Antônio entra empurrando a cadeira de rodas de Guilherme.
GUILHERME
Desculpem o atraso, demorei porque Ligia estava me contando o que aconteceu… Que foi a Audrey quem matou o meu pai.
OTÁVIO
Inacreditável e bizarro isso tudo, até parece um filme do Tim Burton, uma mulher linda que foi morta pelo amante, volta dos mortos para matar o amado.
GUILHERME
Você e suas piadinhas fora de hora, não tem graça, é sério.
ANTÔNIO
Eu vou deixar vocês conversarem á vontade, vou esperar lá fora.
TAINÁ
Pode ficar Antônio, o que eu vou falar não é nenhum segredo de estado.
OTÁVIO
Então já pode falar tia.
TAINÁ
Vocês sabem que agora que Franco morreu o banco ficou as moscas, Gael não sai daquele quarto por nada, se enterrou em vida, Diego foi embora e mesmo se ficasse não iria ajudar, eu além de não saber administrar um banco sozinha estou voltando para Londres e vou levar o Luiz comigo… Então meus queridos sobrinhos está nas mãos de vocês seguir ou não os negócios da família, vocês vão querer levar o banco Bittencourt adiante?
GUILHERME
Depois de tudo o que aconteceu o banco deve estar cheio de problemas, eu sempre gostei de trabalhar lá, eu fico se Otávio aceitar, sozinho eu tenho certeza que não vou conseguir, mas com você Otávio tenho certeza que as coisas vão se ajeitar, você é inteligente e só saiu do banco porque não se dava bem com o papai.
OTÁVIO
Eu sai do banco porque descobri as sujeiras que Franco fazia e não concordei em participar.
TAINÁ
Mas agora Franco está morto e eu duvido que vocês vão seguir o caminho ruim que ele deixou.
GUILHERME
Eu só volto para o banco com você Otávio, o que me diz?
Otávio fica pensativo.
OTÁVIO
Isso é uma tentativa de irmãos unidos jamais serão vencidos ou algo assim?
Guilherme sorri.
GUILHERME
É Otávio acho que juntos formamos uma boa equipe, claro que com Jéssica nos ajudando.
OTÁVIO
E se a Júlia quiser também pode fazer parte dessa equipe?
ANTÔNIO
Desculpa me intrometer, mas a Júlia faz parte da minha equipe e não vou abrir mão dela.
Guilherme e Otávio dão risada.
OTÁVIO
Tudo bem Antônio vou deixar a Júlia na sua equipe e vou para a equipe de Guilherme… Eu aceito voltar a trabalhar no banco.
Guilherme fica feliz, Otávio se levanta abraça Guilherme.
TAINÁ
Perfeito! Agora posso voltar para Londres tranquila!
Tainá beija Luiz.
GUILHERME
Eu tenho mais uma proposta Otávio, quando eu me casar com a Jéssica que será em breve, quero voltar a morar aqui, a mamãe disse que não quer voltar para cá, essa casa é enorme e sempre vivemos juntos aqui… Será uma coisa muito boa se você e a Júlia viessem para cá com a filha de vocês, conversei com a Ligia e ela aceitou voltar para cá com o Pedro e o meu neto.
OTÁVIO
Você já falou com o Gael?
GUILHERME
Não e nem precisa Otávio, essa casa é nossa também.
OTÁVIO
Vou conversar com a Júlia, se ela concordar eu volto para cá sim.
GUILHERME
Vai ser muito bom recomeçar vocês vão ver.
Cena 7/Int./Mais Tarde – Mansão Bittencourt/Suíte de Gael/Noite.
O quarto está iluminado somente com a luz do abajur, Gael está sentado no chão chorando e bebendo, puxa uma gaveta, pega um papel e uma caneta, ao mesmo tempo que escreve ele lê em voz alta.
GAEL
Mirella… Sei que não fui o pai que você sempre quis… Mas saiba que eu te amo de verdade, me desculpa por te deixar sozinha, mas não suporto estar aqui, não suporto não poder fazer as coisas que sempre gostei, estou no fundo do poço. Não cometa os mesmos erros que eu, mas viva da maneira que desejar, tenha tudo o que desejar, você terá condições para isso, te amo princesa… Do seu pai, Gael.
Gael chora, coloca a carta em cima do móvel, pega um revólver de dentro da gaveta, pega uma garrafa com o resto da bebida, bebe de uma vez, fecha os olhos, encosta o revólver na cabeça e dispara, Gael cai morto no chão.
Cena 8/Letreiro: 1 Ano Depois/Int./Casa de Laura/Quarto/Dia.
Laura e Antônio estão dormindo, Antônio acorda, sorri, abraça Laura.
ANTÔNIO
Laura… Acorda meu amor.
Laura sorri de olhos fechados.
LAURA
Bom dia.
ANTÔNIO
É hoje…
Laura abre os olhos, se levanta da cama rápido, fica nervosa, aflita.
LAURA
Sim! É hoje meu amor! Tenho que fazer muitas coisas! E você tem que ir fazer as suas coisas também.
Antônio se levanta da cama, se aproxima de Laura, a olha sorri, segura as mãos dela.
ANTÔNIO
Fica calma, não tem mais ninguém para atrapalhar o nosso casamento.
LAURA
Eu sei,mas o dia hoje vai ter poucas horas para fazer tudo o que tenho que fazer, hoje é o dia mais importante da minha vida, finalmente vamos nos casar!
Laura e Antônio se beijam.
LAURA
Agora vai já fazer suas coisas que vou fazer as minhas.
ANTÔNIO
Tudo bem, já estou indo.
Laura sorri, beija Antônio.
LAURA
Até a noite meu amor.
Cena 9/Int./Mansão Bittencourt/Sala de Jantar/Dia.
Otávio e Júlia estão tomando café, Pedro entra, se senta.
PEDRO
Bom dia.
JÚLIA
Bom dia Pedro, e a Ligia?
PEDRO
Foi para a casa da Laura, acho que a Ligia está mais ansiosa do que ela.
OTÁVIO
Só a Ligia? A Júlia nem dormiu direito, parece que o casamento é dela.
JÚLIA
Mas é que hoje vai acontecer um momento muito lindo! Laura e Antônio esperam há anos por esse casamento.
PEDRO
É verdade mesmo, meu vô sempre ficava triste pelos cantos de saudades da Laura.
OTÁVIO
Vem cá, e as crianças? Estão tão quietas.
JÚLIA
Estão dormindo.
Eles ouvem as crianças chorando.
JÚLIA
Não estão mais, acabou a folga, vou lá ver eles.
PEDRO
Eu te ajudo.
JÚLIA
Pode deixar Pedro eu olho os dois.
Júlia se levanta, beija Otávio e sai.
Cena 10/Int./Mansão Bittencourt/Suíte de Jéssica e Guilherme/Dia.
Guilherme está dormindo, Jéssica se deita ao lado dele, está feliz.
JÉSSICA
Guilherme acorda, acorda meu amor.
Guilherme abre os olhos, está com sono ainda.
GUILHERME
Eu sei que hoje é o casamento da minha mãe, me deixa dormir mais um pouco Jéssica, o casamento é só a noite.
Jéssica coloca um teste de gravidez na frente de Guilherme, sorri.
JÉSSICA
Vai ter mais uma criança nessa casa meu amor.
Guilherme desperta, se senta, pega o teste, sorri.
GUILHERME
Eu vou ser pai de novo?
JÉSSICA
Vai meu amor!
Jéssica e Guilherme se beijam, estão felizes.
GUILHERME
Que coisa boa meu amor! Não vejo a hora de contar para todo mundo!
JÉSSICA
Conta no casamento que o impacto vai ser maior.
GUILHERME
Minha mãe deve estar feliz.
JÉSSICA
Você tem duvidas? É claro que ela está feliz, eu vou me arrumar e vou para a casa dela e você? Vai para a casa do Antônio?
GUILHERME
Não sei…
JÉSSICA
Meu amor às vezes você é chato sabia, vai lá ficar ao lado do Antônio, do seu pai.
GUILHERME
Ele me ajudou quando estava me recuperando do tiro… Quando eu consegui andar ele até se emocionou, claro que agora eu tenho que usar essa bengala, não bastasse ter um neto, agora uso essa coisa de velho.
JÉSSICA
Você fica super charmoso, e não muda de assunto, se você for à casa do Antônio tenho certeza que ele ficará ainda mais feliz, pensa bem meu amor.
Jéssica beija Guilherme e entra no banheiro, Guilherme fica pensativo.
Cena 11/Int./Mais Tarde – Casa de Antônio/Sala/Dia.
Carlos, Pedro, Ana e Sandra estão conversando, Antônio se aproxima com dificuldade para dar um nó na gravata.
ANTÔNIO
Alguém pode me ajudar aqui?
Sandra sorri, se aproxima de Antônio.
SANDRA
Eu ajudo você pai.
Batem na porta, Ana vai abrir, sorri ao ver Guilherme que entra, Antônio fica feliz ao vê – lo, Guilherme está um pouco sem graça.
GUILHERME
Eu espero não estar atrapalhando.
Antônio se aproxima de Guilherme, sorri, coloca a mão no ombro dele.
ANTÔNIO
Você não atrapalha, é bem vindo meu filho.
GUILHERME
Fico feliz em saber isso… Pai.
Todos ficam surpresos ao ouvir Guilherme chamar Antônio de pai, Antônio tenta disfarçar a emoção.
ANTÔNIO
Você… Me chamou do que?
Guilherme sorri.
GUILHERME
Te chamei do que você é, mesmo eu tendo outro pai, você Antônio é o meu pai também, mais do que ser, você agiu feito um no momento em que eu mais precisei, é justo reconhecer isso.
Sandra e Ana se emocionam, Carlos não se comove mas se admira, Antônio fecha os olhos as lagrimas escorrem, sorri, olha Guilherme.
ANTÔNIO
Eu deveria chorar somente a noite, mas você me deu o maior presente que poderia receber de alguém hoje, muito obrigado Guilherme.
Antônio e Guilherme se abraçam.
Fim do Capítulo